Governo não comenta mudanças nas secretas

Governo não comenta mudanças nas secretas

O gabinete do primeiro ministro já veio este sábado anunciar que da parte do Governo não há qualquer comentário a fazer sobre a alegada "razia" nas chefias das secretas portuguesas. A notícia é avançada hoje na edição do semanário Expresso. Já ontem Pedro Passos Coelho veio confirmar a versão de José Sócrates sobre o fornecimento de dados ao grupo Ongoing.

RTP /
Pedro Passos Coelho não comenta a notícia sobre a alegada "razia" nas chefias das secretas Paulo Cordeiro/Lusa

O Governo não confirma nem desmente a notícia de hoje do semanário Expresso que dá conta de que o Executivo de Pedro Passos Coelho está a preparar uma "razia nas secretas".

O gabinete do primeiro ministro refere apenas que não comenta as notícias hoje veiculadas pelo jornal.

De acordo com o semanário, o Governo estará alegadamente a preparar uma mudança nas chefias das secretas portuguesas.

Há duas semanas, Júlio Pereira, secretário geral do Sistema de Informações da República foi a São Bento e terá colocado o lugar à disposição.

O semanário garante que Passos Coelho aceitou o pedido e o que está agora em cima da mesa é o nome de quem o vai substituir.

O semanário revela ainda que o Governo quer fazer a fusão das duas secretas (SIS e SIED) e prepara alterações nos serviços que considera estarem "minados" pelo anterior executivo.

Passos confirma versão de Sócrates

De ontem ao final do dia veio a informação do primeiro ministro, Pedro Passos Coelho, de que não houve ordens de José Sócrates e do secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) para o fornecimento de dados ao grupo Ongoing.

Com esta informação Pedro Passos Coelho confirma a versão que já tinha sido avançada por um porta voz do antigo primeiro ministro, José Sócrates,, de que este nunca teve relações diretas com o antigo diretor do SIED e negando que alguma vez Sócrates tenha autorizado a passagem de dados à Ongoing.

Passos Coelho na nota de esclarecimento informa ter solicitado esclarecimentos "por escrito" ao secretário geral do SIRP, depois de o jornal Público ter noticiado que o anterior diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), Jorge Silva Carvalho, "transmitiu informações ao grupo Ongoing, para o qual foi contratado após ter saído das 'secretas', com autorização do então primeiro ministro", José Sócrates.

"Do esclarecimento prestado pelo secretário geral do SIRP resulta que a notícia carece totalmente de fundamento, uma vez que nem da parte do primeiro ministro, nem do secretário geral do SIRP, houve quaisquer ordens ou orientações no sentido referido pela notícia em causa", diz Passos Coelho na sua comunicação por escrito.

Recorde-se que em causa está a alegada transferência de informações por parte do então diretor do SIED para a empresa Ongoing, onde trabalha atualmente, noticiada pelo Expresso na sua última edição.

Segundo o jornal, o ex-diretor do SIED terá passado à Ongoing informações relacionadas com dois empresários russos e sobre metais estratégicos, antes de abandonar a chefia dos serviços, em novembro de 2010.

Jorge Silva Carvalho já negou ter fornecido informações à Ongoing e pediu uma audiência à comissão parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias para prestar esclarecimentos, que decidiu ouvir primeiro o presidente do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informação, Marques Júnior.

Em entrevista publicada na quinta feira pelo Diário de Notícias, o ex-diretor do SIED admitiu ter enviado e-mails de sua casa sobre matéria tratada pelo Expresso, mas garante que não violou o dever de sigilo ou segredo de Estado.

O Governo já anunciou a abertura de um inquérito aos Serviços de Informação da República na sequência destas notícias e dada a possibilidade de ter havido fugas de informação das 'secretas'.

Por outro lado, o Governo desmentiu "categoricamente" ter pedido às 'secretas' informações sobre Bernardo Bairrão, que foi convidado para fazer parte do Governo, mas acabou por não integrar o Executivo, como também escreveu o Expresso nas últimas semanas.
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