Governo sem "coragem" para autorizar barragem de Fridão acusa autarca de Amarante

Governo sem "coragem" para autorizar barragem de Fridão acusa autarca de Amarante

Amarante, 14 jun (Lusa) - O presidente da Câmara de Amarante acusa o Governo de não ter "coragem e vontade política" para desbloquear o processo da barragem de Fridão, que aguarda há três anos autorização da tutela para avançar.

Lusa /

Segundo Armindo Abreu, "o projeto está na gaveta", provocando "uma indefinição que é dramática para a região".

"O que nós pedimos é uma definição urgente disto", alertou Armindo Abreu, em declarações à Agência Lusa.

Em maio de 2010, o Ministério do Ambiente emitiu a declaração de impacte ambiental (DIA) condicionada à cota mais baixa da barragem do Fridão.

A barragem, a ser construída pela EDP, num investimento de 242 milhões de euros, estava inserida no plano nacional com elevado potencial hidroelétrico.

Comentando o estado em que se encontra o processo atualmente, Armindo Abreu comentou: "Não faço a mínima ideia, porque o Governo não nos dá informação nenhuma. Esta indefinição é dramática. Ou decidem para um lado ou para o outro".

O autarca socialista de Amarante lamenta a "indefinição absoluta do Governo e a falta de coragem para decidir, numa altura em que havia a expectativa de que a obra iria avançar e muitas empresas da região se perfilavam para a construção".

Face ao impasse, Armindo Abreu receia que, se um dia a obra vier a avançar, já não haja empresas de construção civil na região, porque entretanto, sublinhou, já terão falido.

"Num período de crise, estes projetos deviam ter avançado rapidamente", sublinhou, frisando a importância que teriam para muitas empresas se manterem em atividade.

Acresce que a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) exigia que se fizesse um Plano Estratégico de Desenvolvimento da Bacia do Tâmega, o que nunca avançou, tendo-se apenas realizado uma reunião na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

"Está tudo paralisado", exclamou, recordando que a construção previa compensações, por parte da EDP, para o município de Amarante, de cerca de seis milhões de euros.

A câmara estava a contar com esse encaixe financeiro para realizar várias obras, para as quais foi desenvolvendo os respetivos projetos, nomeadamente a requalificação do cineteatro e das piscinas municipais, para além da construção da estância termal.

O impasse neste projeto, alerta Armindo Abreu, também prejudica os privados, de vários concelhos, sobretudo os que poderão ver as suas propriedades inundadas pela futura albufeira.

"As pessoas não sabem se hão de abandonar as suas casas", lembrou.

Em março de 2012, uma fonte da EDP disse à Lusa que a construção da barragem deveria avançar até ao final daquele ano, o que não chegou a ocorrer.

Segundo a empresa, encontravam-se em fase de análise as propostas do concurso público para a construção daquela infraestrutura.

A EDP sublinhava que a obra deveria arrancar quando fosse aprovado o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), que contemplava medidas para minimizar o impacte ambiental do empreendimento hidroelétrico.

O aproveitamento hidroelétrico do Fridão terá uma capacidade instalada de 160 megawatts.

O empreendimento afeta os concelhos de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto.

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