"Grupos mafiosos" controlam PSD-M
O candidato socialista a deputado pelo concelho de São Vicente, João Carlos Gouveia, considera que só um governo PS poderá pôr fim "às máfias instaladas" em vários sectores na Madeira sob o comando de "um padrinho todo-poderoso".
"Há uma máfia que nos domina, que nos estrangula e controla toda a sociedade sob a obediência e tutela extremas em termos políticos de um padrinho todo poderoso, que se mantêm igual a si mesmo, como bicho-carpinteiro que vai moendo a Madeira por dentro, roubando-lhe a alma, destruindo a robustez e a vitalidade", disse Gouveia, numa intervenção muito violenta no comício do PS-M em São Vicente, que antecedeu o discurso do líder regional dos socialistas, Jacinto Serrão.
Sem citar nomes, João Carlos Gouveia diz ainda que "o padrinho todo-poderoso" reclama "a independência da Madeira em relação ao Continente mas pretende transformar os madeirenses em simples lacaios e homens de mão ao serviço de três ou quatro grupos mafiosos que controlam o grande partido fundado por Sá Carneiro".
Para este candidato por São Vicente, "só um governo do PS é que porá cobro a esta situação insustentável".
"Um governo capaz de combater sem tréguas as máfias instaladas na construção civil; nos portos; no comércio das uvas e nas cooperativas de banana, nas juntas de freguesias, nas câmaras municipais, nas empresas públicas, nas casas do povo, nos clubes e associações desportivas, nas sociedades de desenvolvimento, nas clínicas privadas, nos centros de saúde e até nos hospitais", denunciou.
Não é a primeira vez que João Carlos Gouveia ataca com dureza o PSD-M e o seu líder, facto que já lhe valeu problemas judiciais. Em 28 de Abril de 2006 foi condenado pelo Tribunal do Funchal a 250 dias de multa a uma taxa diária de seis euros (1500 euros) pelo crime de difamação continuada ao presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, por ter afirmado que "o principal objectivo de Jardim é manter o paraíso criminal em que a Madeira se transformou".
O deputado recorreu da sentença mas o Tribunal da Relação de Lisboa, a 18 de Dezembro de 2006, confirmou a condenação e chegou mesmo a agravar a sentença em 35 mil euros.
Devido a estas afirmações, o Grupo Parlamentar do PSD-M solicitou na Assembleia Legislativa um exame à sanidade mental do deputado João Carlos Gouveia, mas acabou por retirar o requerimento.