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"Homem de convicções". Morreu Nuno Morais Sarmento aos 65 anos

"Homem de convicções". Morreu Nuno Morais Sarmento aos 65 anos

O antigo ministro do PSD Nuno Morais Sarmento morreu na madrugada deste sábado, aos 65 anos.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: José Sena Goulão - Lusa (arquivo)

Nuno Morais Sarmento, ministro da Presidência nos governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, morreu este sábado, com 65 anos. O antigo governante lutava contra um cancro no pâncreas há vários anos, o que obrigou a prolongadas hospitalizações e várias cirurgias.

Em janeiro deste ano apresentou a demissão da presidência da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), invocando falta de condições pessoais e de saúde.

Em comunicado, o PSD disse ter recebido a notícia “com imensa dor e saudade”, falando num “homem de convicções” e considerando que “Portugal perdeu, sem dúvida, uma das vozes mais firmes na defesa da liberdade, da tolerância e do espírito cívico”.
Nuno de Albuquerque de Morais Sarmento, nascido em Lisboa a 31 de janeiro de 1961, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, em 1984, com uma pós-graduação em Direito Comunitário, pelo Centro de Estudos Europeus da Universidade Católica Portuguesa, em 1996.

Foi também assessor da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, membro fundador da Comissão Nacional de Proteção de Dados, membro do Conselho Superior do Ministério Público e da Autoridade de Controlo Comum de Schengen.
Marcelo destaca figura “sempre maior do que os cargos que desempenhou”
O presidente da República lamentou a morte de Nuno Morais Sarmento, que considerou um “militante de todas as horas pela democracia e a liberdade, muito inteligente, brilhante, político, governante, sempre em busca de novas pistas, sendas e mais vastos horizontes”.

“Marcou um tempo no seu partido, ensaiou reformas na informação, liderou uma fundação dedicada às relações luso-americanas”, salientou Marcelo Rebelo de Sousa numa nota no site da Presidência.

“Mas foi sempre maior do que os cargos que desempenhou. Desapareceu cedo demais para o muito que sempre sonhou fazer”, lamentou o chefe de Estado, recordando Morais Sarmento com “saudosa amizade” e apresentando as condolências à família.
Durão Barroso diz que se perde alguém "que vai fazer falta"
Em resposta escrita à RTP, Durão Barroso diz: "Perdi hoje um grande amigo, Portugal perde alguém que vai fazer muita falta à vida pública e cívica".

"A amizade iniciou-se na faculdade de Direito, foi ministro da presidência no Governo que dirigi e vice-presidente do PSD em toda a minha liderança. Foi com honra que aceitei suceder-lhe na presidência da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento".
Rangel recorda "bom amigo" de uma "inteligência fulgurante"
Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, reagiu à notícia com “grande tristeza”, falando num “bom amigo há mais de 20 anos” e numa pessoa com “um percurso político extraordinário”.

“Para além da sua grande lealdade para com os amigos”, possuía uma “inteligência fulgurante”, recordou Rangel, destacando “um homem de uma inteligência e de um brilhantismo totalmente fora do comum, com uma capacidade de análise política absolutamente invulgar”.

“Tinha uma grande causa, que era o país”, disse à RTP Notícias o ministro, referindo ainda “um patriota em todos os sentidos que a palavra pode ter”.

“Foi uma figura maior da nossa democracia no final do século XX e especialmente inícios do século XXI”, considerou.

Paulo Rangel lembrou que, nos últimos anos, Nuno Morais Sarmento passou por “um sofrimento enorme, esteve muito doente”, mas “foi um resistente a várias situações em que esteve no limite entre a vida e a morte e conseguiu sempre superar, muitas vezes num estado de fragilidade grande”.

c/ Lusa
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