Homem recolhido depois de 19 horas a boiar no mar
O sobrevivente recolhido após dezanove horas no mar continua em observação no Hospital de Aveiro e não deverá ter alta hoje apesar de estar estável. Os seus quatro companheiros continuam desaparecidos. Suspensas as buscas às 20h00 de segunda-feira, serão retomadas pelas 08h00 de terça-feira.
A directora clínica da unidade hospitalar, Lurdes Sá, deu conta de que está "estável do ponto de vista clínico" mas que terá de permanecer mais 24 horas sob observação no hospital.
Fonte da Polícia Marítima, citada pela agência Lusa, revelou que o sobrevivente se encontrava "bastante abalado", não conseguindo responder às perguntas que lhe foram feitas.
O caso não era para menos se considerarmos que tinha acabado de permanecer dentro de água, ao largo de Aveiro, agarrado a uma balsa flutuante, durante um período de 19 horas.
O naufrágio ter-se-á dado pelas 09h30 da manhã de domingo e o naufrago foi recolhido por um barco de pesca às 04h30 da madrugada de segunda-feira.
"Estava agarrado à balsa flutuante, que fazia parte dos meios de salvamento da embarcação, e encontrava-se bem, tendo ido para o hospital pelo próprio pé", reporta o comandante da Capitania do Porto de Aveiro, Coelho Gil.
Os seus companheiros de aventura e de infortúnio são todos residentes da zona da Bairrada e têm idades compreendidas entre os 21 e os 51 anos.
As buscas infrutiferas desta segunda-feira - levadas a cabo numa faixa de 36 quilómetros desde a zona do naufrágio até à entrada da barra de Aveiro - foram entretanto, suspensas às 20h00 e serão retomadas terça-feira pelas 08h00 com os mesmos meios à excepção do navio-atrulha "Zaire".
Naufrágio às 09h30 da manhã de domingo
A embarcação baptizada "Super Águia 2" é um barco de pesca lúdica e saiu do porto de Aveiro no domingo pelas 06h00 da madrugada com cinco tripulantes.
Deveria ter regressado ao Porto de origem ao início da noite, mas não o fez, o que levantou as suspeitas dos amigos e familiares que de imediato desencadearam o alerta junto das autoridades competentes.
"O alerta foi dado por um familiar, cerca das 23h30, uma hora depois do horário previsto de chegada ao Porto de Aveiro, tendo a Marinha activado os meios de busca e salvamento e alertado as restantes embarcações" que se encontravam no mar alto a pescar, explicou o porta-voz do Estado-Maior da Armada, comandante João Barbosa.
Alertado do náufragio e do desaparecimento das cinco pessoas, um dos barcos de pesca presentes nas imediações acabou por encontrar, e recolher, "um sobrevivente que tinha um colete salva-vidas vestido, cerca das 04h30", a cerca de sete milhas náuticas do Porto de Aveiro.
Uma vez no barco de pesca e questionado sobre o naufrágio, o sobrevivente informou que este se tinha dado cerca das 09h30 da manhã de domingo, de acordo ainda com o mesmo representante da Armada.
A Marinha de Guerra portuguesa.logo que alertada para o naufrágio fez deslocar de imediato para o local um helicóptero EH-101 da Força Aérea, o navio patrulha "Zaire", a corveta "Baptista de Andrade" e lanchas da polícia marítima que se juntaram às embarcações de pesca que de imediato também se dedicaram à busca do barco sinistrado.
As causas concretas do naufrágio estão ainda por determinar, mas o comandante da Capitania do Porto de Aveiro, Coelho Gil avança a hipótese que neste momento constitui base de trabalho e terá sido fornecida pelas declarações do sobrevivente.
"Terá ocorrido entrada de água na embarcação por motivos desconhecidos e as pessoas terão caído ao mar", afirma Coelho Gil.