Hospitais querem saber quem cuida de quem em caso de pandemia
O director do serviço de epidemiologia dos Hospitais de Coimbra defendeu hoje que as unidades devem saber se tratam exclusivamente os doentes da sua área de influência ou alargam o atendimento no caso de uma pandemia de gripe.
Saraiva da Cunha, dos Hospitais Universitários de Coimbra (HUC), que hoje apresentou o plano de contingência dos HUC durante o Fórum Regional sobre Gripe, a decorrer em Coimbra, afirmou que não será possível uma eficaz resposta hospitalar durante a pandemia, sem que o hospital saiba quais os doentes que deve atender, e manifestou- se contra a transferência de pacientes nesse período.
No caso de uma pandemia de gripe (fase seis, segundo a Organização Mundial da Saúde), estima-se que sejam necessárias 500 camas por cada milhão de habitantes, segundo contas que estão na base de alguma apreensão manifestada por Saraiva Cunha.
Isto porque os HUC dão resposta a dois milhões de habitantes, que é o número de moradores na zona centro.
Segundo as estimativas para um cenário de pandemia, os HUC necessitam de mil camas (500 camas por milhão de habitantes) com resposta clínica e epidemiológica, as quais "não existem".
Para o director do serviço de epidemiologia dos HUC, cada hospital deve ter um número de doentes a atender, os quais, durante a fase pandémica, não poderão ser "possíveis", mas sim "prováveis".
O especialista lembrou que, antes do aparecimento da pandemia, e de acordo com os níveis de alerta da OMS, há muito trabalho a fazer, inclusive na fase actual (três) em que as instituições devem preparar o seu próprio plano de contingência.
Em relação aos HUC, e nesta fase, estão já definidas as medidas de protecção individual para os profissionais de saúde.
Segundo Saraiva da Cunha, o equipamento de protecção individual deve contemplar batas descartáveis, luvas de látex (não estéreis), máscaras, vidreiras, toucas e protectores de sapatos.
A prevenção obriga ainda a que os profissionais de saúde obedeçam a uma "etiqueta" para vestir e despir o equipamento de protecção individual, com especial atenção para as medidas de higiene (sobretudo a lavagem das mãos).
Para esta fase, os HUC dispõem de cinco quartos de isolamento, mas para as fases seguintes (três e quatro) têm preparadas 29 camas da enfermaria - que terá de se destinar exclusivamente a estes doentes - e pavilhões em blocos de celas que poderão ser usados.
O especialista aguarda ainda que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) indique qual a zona (população) a que os HUC terão de dar resposta.
Presente no encontro, o director-geral da Saúde, Francisco George, confirmou que as metodologias a seguir para as seguintes fases (quatro a seis) ainda não foram reveladas, mas explicou que tal foi propositado.
Francisco George aproveitou a ocasião para revelar que, dentro de semanas, será divulgada uma publicação com as orientações para todas as fases da pandemia.
Saraiva da Cunha defendeu ainda a proibição das transferências dos doentes, durante o período pandémico, para evitar a sobrelotação dos serviços de destino das transferências.
Confiante na resposta das unidades de saúde da região (Centro) está o coordenador do Centro Regional de Saúde Pública.
Segundo José Manuel Tereso, cerca de 90 por cento das unidades de saúde desta zona já têm planos de contingência e de "grande qualidade".