Hospital de São João retoma normalidade mas urgências têm excesso de procura

Hospital de São João retoma normalidade mas urgências têm excesso de procura

Superados os picos de Covid-19 no Hospital de São João, no Porto, vive-se um otimismo cauteloso com as consultas e cirurgias a recuperarem a normalidade, mas as urgências a refletirem antigos problemas ao receberem 500 pessoas por dia.

Lusa /
A atividade no Hospital de São João, no Porto, está a retomar a normalidade David Araújo - RTP (arquivo)

"Estamos, felizmente, numa situação bastante tranquila" relativamente à covid-19, assegurou Nelson Pereira, diretor da Unidade Autónoma de Gestão (UAG) de Urgência e Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário de São João.

Neste hospital, que durante a primeira vaga foi a unidade de saúde do país que recebeu mais doentes, estão internados 32 com covid-19 e destes, 18 estão em unidades de cuidados intensivos.

Nos últimos três meses, a situação "tem-se mantido estável" e vive-se agora um "otimismo cauteloso", com o número de suspeitos com covid-19 a não ultrapassar diariamente os 40 e com a positividade a rondar os 2 e 3%.

No entanto, o excesso de procura pelo serviço de urgência por parte de doentes não urgentes tem "perturbado", à semelhança de outros tempos, a atividade de um serviço que se quer "eficiente, rápido e de qualidade", constatou Nelson Pereira.

Ansiosas por "livremente" e "sem receios" acederem aos cuidados de saúde, as pessoas continuam a recorrer "ao sítio que acham que lhes dá melhor resposta, mesmo que não seja exatamente assim", explicou.

"É mais fácil ir ao serviço de urgência do que ir ao centro de saúde e, portanto, os serviços de urgência sofrem muito esta pressão", afirmou Nelson Pereira.

No centro de ambulatório, a atividade está "absolutamente recuperada", afirmou Xavier Barreto, diretor de um serviço que sentiu "menos impacto" da pandemia do que outras valências.

Onde habitualmente se realizam cerca de 800 mil consultas anuais, em 2020, a redução foi de "alguns milhares", o equivalente a menos 4% de consultas, o que não é "muito significativo".

O alargamento dos horários das consultas, a par com as restrições aos acompanhantes -- que apenas são permitidos em casos excecionais -- garante ainda que são acauteladas "condições" para reduzir a propagação do vírus que provoca a covid-19.

Se no Centro de Ambulatório permanecem restrições para os acompanhantes, no Serviço de Cirurgia "ainda não há qualquer previsão de quando serão possíveis visitas", revelou Elisabete Barbosa, diretora daquela UAG.

A atividade, reduzida em mais de 50% entre março e abril de 2020, retomou de forma progressiva, funcionando agora em plenitude no internamento, bloco operatório e consultas externas.

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