Hospital pioneiro de cuidados continuados abre em Março
Um hospital pioneiro vocacionado para os cuidados continuados vai começar a funcionar em Coimbra em finais de Março, uma iniciativa da Associação Fernão Mendes Pinto, com parceria de investidores privados.
A Fernão Mendes Pinto - Unidade de Saúde de Coimbra, hoje apresentada, vai ocupar uma ala do edifício que serviu de sede aos serviços dos Correios, com uma área de 10 mil metros quadrados, e terá uma capacidade de 200 camas.
Apresentada no dia em que a associação fundada no município vizinho de Montemor-o-Velho completa 28 anos, a unidade de saúde prestará cuidados paliativos, de reabilitação e de tratamento da dor, funcionará como hospital de dia e oferecerá apoio domiciliário.
Em termos de medicina física e reabilitação, terá capacidade para atender 450 pessoas por dia, mais 80 em hospital de dia, e prestará apoio domiciliário a 40 utentes, número que poderá ser ampliado em fases posteriores.
Uma das fortes apostas é a prestação de cuidados no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, e esta semana será celebrado um protocolo em que será contratualizada a afectação de pelo menos metade das 200 camas para internamento, referiu Vítor Camarneiro, presidente da Associação Fernão Mendes Pinto.
A ideia é complementar os cuidados prestados pelos hospitais gerais, não vocacionados para os cuidados continuados, e contribuir para suprir uma lacuna existente, quer na região centro, quer a nível nacional.
O presidente do Conselho de Administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Nascimento Costa, também presente na sessão, enalteceu a criação de uma unidade qualificada na prestação deste tipo de cuidados, "para os quais os hospitais não estão vocacionados", disse.
O responsável admitiu que o recurso a estas unidades poderá significar uma diminuição de encargos no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, além de libertar a capacidade dos hospitais para os cuidados para os quais têm maior vocação.
Jorge Laíns, director clínico do novo hospital, que também participou na apresentação do projecto, referiu que esta será uma unidade de cuidados continuados "em que os doentes terão uma convalescença activa".
Pacientes que sofreram acidentes vasculares cerebrais, com doenças do foro neurológico degenerativo (nomeadamente com Alzheimer ou esclerose múltipla) ou a necessitar de cuidados paliativos, de tratamento da dor, serão acolhidos nesta unidade.
A Fernão Mendes Pinto - Unidade de Saúde de Coimbra, pela sua dimensão, é a "primeira unidade a nível nacional" vocacionada para os cuidados continuados e especializados, referiu Victor Camarneiro, salientando que em Portugal este tipo de oferta tem-se centrado na componente geriátrica (terceira idade).
A criação desta unidade hospitalar exigiu um investimento de cerca de 12,5 milhões de euros. A aquisição do imóvel e as obras foram suportadas através de um fundo de investimento contratualizado a 15 anos.
Trata-se de um projecto do Departamento de Saúde da Associação Fernão Mendes Pinto que, para desenvolver novas iniciativas neste sector, criou uma sociedade anónima - a Fernão Mendes Pinto, SA - na qual conserva 25 por cento dos 50 mil euros de capital social, deixando para investidores privados os restantes 75 por cento.
Dois novos projectos estão já programados para avançar no ano em curso: um centro de alcoologia e psiquiatria em Montemor-o-Velho e um hospital similar ao de Coimbra em Tábua, mas de menores dimensões, com capacidade para 90 camas.