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Igreja preocupada com "má fama" dos imigrantes brasileiros

Igreja preocupada com "má fama" dos imigrantes brasileiros

O responsável da Pastoral dos Brasileiros no Exterior, D. Laurindo Guizzardi, manifestou-se hoje preocupado com a "má fama" dos imigrantes brasileiros, associados ao fenómeno da prostituição.

Agência LUSA /

Em conferência de imprensa no Santuário de Fátima, o bispo de Foz do Iguaçu revelou que irá envolver a Igreja Católica Brasileira numa campanha que apele aos cidadãos daquele país para que procurem meios legais de emigração.

Na sua opinião, é necessário "dissuadir essa emigração irregular pouco planeada" que acaba por colocar os emigrantes nas mãos de "redes organizadas" que ficam com parte dos salários e encaminham as mulheres para a prostituição, em "ocupações não renováveis".

Esta situação faz com que, entre os portugueses, os imigrantes brasileiros tenham "má fama" porque são imediatamente associados à prostituição e casas de alterne.

Em Portugal, a comunidade brasileira é constituída por cerca de 85 mil pessoas (o maior grupo de estrangeiros em Portugal) mas somando os imigrantes ilegais poderá atingir os 115 mil, explicou D.

Laurindo Guizzardi.

Se permanecer esta "emigração irregular e desordenada" a partir do Brasil, D. Laurindo Guizzardi considera que será difícil contrariar os problemas de integração em Portugal.

Opinião semelhante manifestou Rui Pedro, director da Obra Católica das Migrações, salientando que cada vez é mais fácil entrar em Portugal de forma irregular até porque, só na Portela, "há sete voos diários".

Para a comunidade brasileira em Portugal, já está destacado um capelão brasileiro e D. Larindo Guizzardi admite ampliar esse número já que a "linguagem religiosa" na Europa é diferente do Brasil, onde existe uma maior força de grupos carismáticos, que envolvem maior participação dos leigos nas cerimónias.

"A língua é igual mas a cultura é bastante diferente", nomeadamente na relação com a fé, explicou D. Laurindo Guizzardi.

D. António Vitalino Dantas, presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, apelou às comunidades católicas portuguesas para que dêem "espaço aos imigrantes", fomentando a sua participação nas cerimónias.

"Não podemos fazer um diálogo de surdos ao nível da fé", considerou.

O bispo brasileiro preside hoje e sábado à peregrinação aniversaria de Agosto ao Santuário de Fátima, integrada na 33/a Semana de Migrações, que o levou a vários contactos com autoridades portuguesas e com a comunidade brasileira.

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