IL pergunta ao Governo se vai adiar calendário de acesso ao ensino superior
A IL perguntou hoje ao ministro da Educação se está a ponderar adiar o calendário do acesso ao ensino superior devido aos problemas na correção dos exames nacionais e como compensará alunos prejudicados por esta situação.
"A Iniciativa Liberal é a favor da digitalização do processo de classificação, tal como a maior parte do setor educativo, nomeadamente o Conselho Nacional de Educação. No entanto, esta modernização não pode pôr em causa o rigor da avaliação, nem pode prejudicar profissionais, nem alunos", pode ler-se numa pergunta enviada pela IL, através do parlamento, ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
Depois de na sexta-feira ter sido divulgado pelo Governo que as falhas na avaliação eletrónica dos exames obrigaram a adiar o início da segunda fase, o partido liderado por Mariana Leitão quer que o Governo esclareça se "está a ser ponderado um adiamento da segunda fase para setembro".
"Está a ser ponderado um adiamento na calendarização do acesso ao ensino superior", questionam os liberais.
Para a IL, este adiamento de datas sem alterar o calendário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior "constitui um risco que pode comprometer o sucesso académico de milhares de alunos", que estão a ser submetidos "a um momento de enorme ansiedade".
Os deputados da IL perguntam a Fernando Alexandre o porquê de, na audição no parlamento na semana passada, ter dito que "não estavam previstas mudanças no cronograma" dos exames nacionais, mas dois dias ter sido "emitido um comunicado que anuncia um adiamento no calendário das avaliações", pretendendo saber "em 48 horas o que mudou".
"Está a ser preparado um plano de contingência para as situações em que haja pedidos de revisões de prova e recursos, nomeadamente através do reforço de equipas de docentes?", questionam.
A IL quer ainda saber as falhas na digitalização das provas já se encontram sanadas.
"Caso venham a surgir casos de alunos que foram prejudicados por todos estes constrangimentos, de que forma serão compensados", questionam ainda os liberais.
Os liberais recordam que surgiram várias questões remetidas por professores ao Júri Nacional de Exames, durante o mês de junho, que "alertavam para problemas no processo de avaliação" e que na audição da semana passada Fernando Alexandre garantiu "aos deputados que o problema se baseava no software e que toda a operação logística estava assegurada, por isso o calendário das avaliações seria mantido".
"Acrescentou que o calendário não iria impor-se ao rigor da avaliação e que caso fosse necessário poderia haver uma alteração de prazos, mas que essa situação seria implementada em último recurso", lembram ainda, criticando que "dois dias depois o último recurso" tenha sido "posto em prática".
Para a IL, a forma como o Ministério da Educação tem comunicado "aumentou a incerteza" e levantou dúvidas junto da comunidade escolar "sobre se poderá haver, ou não, alterações adicionais aos prazos, para além de receios na atribuição de notas".
Na sexta-feira, o Ministério da Educação anunciou que a divulgação dos resultados e a segunda fase dos exames nacionais foram adiadas devido às falhas da avaliação eletrónica, havendo ainda professores sem receber os itens das provas para corrigir.
Segundo a tutela, as candidaturas ao ensino superior deverão manter-se inalteradas, ou seja, arrancam a 20 de julho.