Imprensa Portuguesa destaca relações económicas como tema "omnipresente"

Imprensa Portuguesa destaca relações económicas como tema "omnipresente"

Lisboa, 11 Mar (Lusa) - A visita de Estado do Presidente de Angola, Eduardo dos Santos, a Portugal marca praticamente toda a imprensa de Lisboa, em notícias, reportagens e opinião.

© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Cavaco cobre Eduardo dos Santos de elogios", destaca o Público, "Angola elogiada por Portugal", realça o Diário de Notícias, "Prometidos mais vistos para portugueses", avança o Jornal de Notícias, enquanto o Correio da Manhã escreve "Facilitados vistos para Angola".

Também os económicos não escapam à visita de Eduardo dos Santos a Portugal, com o Diário Económico a escrever "Empresários angolanos têm de investir mais em Portugal" e o Jornal de negócios a titular "Soares da Costa, Ferpinta, Mota e Escon aceitam participações cruzadas com angolanos".

A imprensa da capital, na sua maioria, dedica mais de duas páginas à visita de José Eduardo dos Santos, com notícias, reportagens e opinião.

O Público destaca a vida dos portugueses em Angola, caracterizando a vontade de ficar no país africano, por um lado, e a de voltar, por outro.

O Diário de Notícias (DN) sublinha que as "eleições presidenciais em Angola ainda não têm data", citando o Chefe de Estado angolano.

O mesmo jornal salienta, como tema central da agenda do presidente angolano, os negócios, citando a Associação Empresarial de Portugal e a Associação Industrial Portuguesa que "aplaudem" as parcerias económicas entre Portugal e a ex-colónia.

Cita também o ex-ministro da Finanças Bagão Félix que recordou que "ainda há direitos cívicos que não estão salvaguardados" no país africano.

O Jornal de Noticias (JN) dedica o editorial, assinado por José Leite Pereira, à visita do chefe de estado angolano.

Em "Nós e Angola", o director do JN lembra que "Angola não é um `El Dorado` onde o dinheiro brota a quem estender a mão".

José Leite Pereira admite que Angola é uma "terra de oportunidade", mas sublinha também a miséria e a corrupção que marcam a vida dos angolanos e conclui que "o dinheiro, decididamente, não tem cor" e que é "é esse estatuto de superioridade que Angola conquistou" e que tem de ser "reconhecido".

O JN elege ainda como figura do dia Eduardo dos Santos e faz uma reportagem sobre o número "muito reduzido" de angolanos residentes em Portugal que estiveram na Praça do Império, em Lisboa, para dar as boas-vindas ao chefe de estado.

O Correio da Manhã também regista a "visita sem banhos de multidão".

Este jornal é o único que dedica um texto especificamente à presença do presidente da República Popular de Angola na Assembleia da República portuguesa, destacando o facto de o Bloco de Esquerda não se ter feito representar.

Também o diário 24Horas dedica um editorial à visita de Eduardo dos Santos.

O director, Pedro Tadeu, salienta a superioridade económica de Angola, como ex-colónia portuguesa.

"No colonialismo os portugueses iam para Angola ser patrões dos angolanos, a tentar fazer fortuna. Agora os angolanos são nossos patrões e até pagam fortunas quase inacreditáveis a alguns dos seus empregados portugueses", escreve, pondo a hipótese de, um dia, Portugal vir a ser uma colónia angolana, o que descreve como "uma bela ironia histórica".

O 24Horas dedica ainda uma breve referência à ida da primeira-dama angolana ao Museu da Presidência.

A opinião sobre a visita de Eduardo dos Santos surge nos jornais especializados em economia.

O Diário Económico (DE), no espaço "A Personagem", escreve sobre a sucessão de José Eduardo dos Santos, valorizando a "mestria" com que o presidente angolano tem "sabido jogar" nos acordos económicos internacionais.

O mesmo jornal destaca a vontade de Angola em investir mais, citando Eduardo dos Santos, que caracteriza os investimentos em Portugal de "tímidos": "Relações são excelentes mas há muito que fazer".

O DE sublinha que "relações económicas entre os dois países foram um tema omnipresente em toda a visita".

O diário avança ainda o nome de Francisco Bandeira que "será homem forte da Caixa em Angola", ficando à frente dos dois bancos angolanos.

No Jornal de Negócios, o editorial, assinado pelo director-adjunto, João Cândido da Silva, elogia o governo português por querer diversificar dos mercados onde as empresas portuguesas dirigem os seus bens, serviços e investimentos.

"Não admira, por isso, que as aparências transmitam a imagem de um casamento harmonioso entre os interesses de ambas as partes. Ou que os temas quentes - violação de direitos humanos, qualidade da democracia - tenham sido "varridos para debaixo do tapete. Em estado de necessidade apertam-se as mãos que estiverem estendidas", conclui.

O jornal de negócios escreve ainda que a "Mota-Engil vai utilizar banco da CGD e da Sonangol" que a "Ferpinta constrói hotel no Lobito" e que o "Filão angolano também está na mira dos advogados"

SZP/SB/JPA

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