País
Incêndios. 2025 ficou marcado por condições meteorológicas exigentes
O ano de 2025 foi marcado por condições meteorológicas particularmente exigentes, sendo o quinto ano mais severo desde 2001, com 29 dias críticos consecutivos em que o perigo de incêndio atingiu níveis "Máximo", "Extremo" e "Excecional".
Segundo o relatório do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), foram registadas, durante várias semanas, condições favoráveis ao desenvolvimento de incêndios de elevada intensidade, com períodos prolongados de elevada severidade meteorológica.
Sendo um dos anos meteorologicamente mais severos das últimas décadas, registaram-se cerca de 271 mil hectares de área ardida, o quarto valor mais elevado desde 2001. “Este contexto confirma as projeções associadas às alterações climáticas e reforça a necessidade de acelerar a adaptação dos territórios rurais, aumentar a sua resiliência e reforçar a capacidade operacional do sistema para responder a eventos extremos”, lê-se no documento enviado às redações.
Em 2025, "aproximadamente 84% da área ardida ocorreu em zonas de perigosidade alta ou muito alta, e 73% concentrou-se na região Centro, reforçando a urgência de direcionar recursos e investimento preventivo para as Áreas Prioritárias de Prevenção e Segurança (APPS)”.
O relatório frisa que os impactos observados, “recordam a dimensão humana, ambiental e económica deste fenómeno. Registaram-se seis vítimas mortais associadas aos incêndios rurais, das quais dois civis e quatro operacionais”.
Um valor que representa uma redução face a 2024 (16 vítimas) e mantém-se significativamente abaixo dos valores observados em anos críticos como 2017.
Já as emissões de carbono atingiram cerca de 3,6 milhões de toneladas, representando aproximadamente o dobro da média histórica observada desde 2003.
As perdas económicas diretas associadas aos espaços florestais, agrícolas e aos serviços dos ecossistemas ascenderam a cerca de 85 milhões de euros.
“Estes números evidenciam que os incêndios rurais constituem um problema que ultrapassa largamente a esfera da proteção civil, afetando a economia, o ambiente, a coesão territorial e a qualidade de vida das populações”, acrescenta o relatório de 160 páginas.
Os resultados alcançados desde o início da reforma do sistema, em 2018, continuam a evidenciar uma evolução positiva.
No ano passado registaram-se 8.252 incêndios rurais, o terceiro valor mais baixo desde 2001, representando uma redução de 16% face à média do período 2018-2024 e de cerca de 65% relativamente à média observada entre 2001 e 2017.Apenas 44 incêndios foram responsáveis por aproximadamente 91% da área ardida nacional, demonstrando que o principal desafio do sistema reside atualmente na prevenção e gestão de incêndios de grande dimensão e elevada complexidade.
Esta evolução confirma a consolidação de uma tendência estrutural de redução das ignições, particularmente associada ao uso negligente do fogo, refletindo o impacto combinado das campanhas de sensibilização, dos programas de proximidade, da vigilância, patrulhamento e fiscalização e dos mecanismos de apoio à realização segura de queimas e queimadas.
No entanto, os resultados de 2025 evidenciam igualmente uma realidade cada vez mais clara: o problema dos incêndios rurais está hoje menos associado ao número de ocorrências e cada vez mais concentrado na sua capacidade de evoluir para grandes incêndios de comportamento extremo.
Em 2025, ano intermédio da implementação do Programa Nacional de Ação (PNA 2020-2030), os 97 projetos estruturantes do SGIFR atingiram uma execução acumulada de cerca de 53%, acima dos 48% registados no final de 2024.
Um progresso que demonstra a continuidade da implementação da reforma, embora subsistam atrasos em iniciativas estruturantes essenciais para atingir os objetivos definidos para 2030, que passam por valorizar e cuidar dos espaços rurais; modificar comportamentos e gestão eficiente dos riscos.Três prioridades para os próximos anos A primeira é continuar a assumir o Programa Nacional de Ação como prioridade estratégica, acelerando a sua execução através de melhor articulação de políticas públicas, financiamento coerente, reforço da cooperação interinstitucional, mas também ao nível internacional, nomeadamente à escala ibérica e europeia, privilegiando iniciativas de elevado impacto (quick wins) como o uso do fogo em larga escala.
A segunda prioridade passa por mobilizar proprietários, associações e autarquias, criando incentivos económicos, fiscais, contratos programa que contrariem a fragmentação da propriedade, promovam atividade económica sustentável, também com boas práticas silvícolas e pastorícias e reduzam o perigo na interface entre habitações, áreas industriais e espaços florestais.
A terceira prioridade consiste em organizar recursos especializados numa força rural pública e privada, dedicada à proteção das florestas, das áreas agrícolas e dos parques naturais, capaz de apoiar eficazmente estruturas de coordenação, comando e controlo em situações complexas, numa matriz de Estado-Maior, reforçando a capacidade de antecipação, a preparação e a tomada de decisão.
Sendo um dos anos meteorologicamente mais severos das últimas décadas, registaram-se cerca de 271 mil hectares de área ardida, o quarto valor mais elevado desde 2001. “Este contexto confirma as projeções associadas às alterações climáticas e reforça a necessidade de acelerar a adaptação dos territórios rurais, aumentar a sua resiliência e reforçar a capacidade operacional do sistema para responder a eventos extremos”, lê-se no documento enviado às redações.
Em 2025, "aproximadamente 84% da área ardida ocorreu em zonas de perigosidade alta ou muito alta, e 73% concentrou-se na região Centro, reforçando a urgência de direcionar recursos e investimento preventivo para as Áreas Prioritárias de Prevenção e Segurança (APPS)”.
O relatório frisa que os impactos observados, “recordam a dimensão humana, ambiental e económica deste fenómeno. Registaram-se seis vítimas mortais associadas aos incêndios rurais, das quais dois civis e quatro operacionais”.
Um valor que representa uma redução face a 2024 (16 vítimas) e mantém-se significativamente abaixo dos valores observados em anos críticos como 2017.
Já as emissões de carbono atingiram cerca de 3,6 milhões de toneladas, representando aproximadamente o dobro da média histórica observada desde 2003.
As perdas económicas diretas associadas aos espaços florestais, agrícolas e aos serviços dos ecossistemas ascenderam a cerca de 85 milhões de euros.
“Estes números evidenciam que os incêndios rurais constituem um problema que ultrapassa largamente a esfera da proteção civil, afetando a economia, o ambiente, a coesão territorial e a qualidade de vida das populações”, acrescenta o relatório de 160 páginas.
Os resultados alcançados desde o início da reforma do sistema, em 2018, continuam a evidenciar uma evolução positiva.
No ano passado registaram-se 8.252 incêndios rurais, o terceiro valor mais baixo desde 2001, representando uma redução de 16% face à média do período 2018-2024 e de cerca de 65% relativamente à média observada entre 2001 e 2017.Apenas 44 incêndios foram responsáveis por aproximadamente 91% da área ardida nacional, demonstrando que o principal desafio do sistema reside atualmente na prevenção e gestão de incêndios de grande dimensão e elevada complexidade.
Esta evolução confirma a consolidação de uma tendência estrutural de redução das ignições, particularmente associada ao uso negligente do fogo, refletindo o impacto combinado das campanhas de sensibilização, dos programas de proximidade, da vigilância, patrulhamento e fiscalização e dos mecanismos de apoio à realização segura de queimas e queimadas.
No entanto, os resultados de 2025 evidenciam igualmente uma realidade cada vez mais clara: o problema dos incêndios rurais está hoje menos associado ao número de ocorrências e cada vez mais concentrado na sua capacidade de evoluir para grandes incêndios de comportamento extremo.
Em 2025, ano intermédio da implementação do Programa Nacional de Ação (PNA 2020-2030), os 97 projetos estruturantes do SGIFR atingiram uma execução acumulada de cerca de 53%, acima dos 48% registados no final de 2024.
Um progresso que demonstra a continuidade da implementação da reforma, embora subsistam atrasos em iniciativas estruturantes essenciais para atingir os objetivos definidos para 2030, que passam por valorizar e cuidar dos espaços rurais; modificar comportamentos e gestão eficiente dos riscos.Três prioridades para os próximos anos A primeira é continuar a assumir o Programa Nacional de Ação como prioridade estratégica, acelerando a sua execução através de melhor articulação de políticas públicas, financiamento coerente, reforço da cooperação interinstitucional, mas também ao nível internacional, nomeadamente à escala ibérica e europeia, privilegiando iniciativas de elevado impacto (quick wins) como o uso do fogo em larga escala.
A segunda prioridade passa por mobilizar proprietários, associações e autarquias, criando incentivos económicos, fiscais, contratos programa que contrariem a fragmentação da propriedade, promovam atividade económica sustentável, também com boas práticas silvícolas e pastorícias e reduzam o perigo na interface entre habitações, áreas industriais e espaços florestais.
A terceira prioridade consiste em organizar recursos especializados numa força rural pública e privada, dedicada à proteção das florestas, das áreas agrícolas e dos parques naturais, capaz de apoiar eficazmente estruturas de coordenação, comando e controlo em situações complexas, numa matriz de Estado-Maior, reforçando a capacidade de antecipação, a preparação e a tomada de decisão.