Incêndios. Ex-presidente da agência de gestão destaca pressão no mercado de aluguer de meios aéreos
O ex-presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), Tiago Oliveira, defendeu hoje menos meios aéreos a combater os incêndios, destacando a pressão que existe no mercado internacional para aumentar os preços de aluguer.
Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos negócios dos incêndios rurais, Tiago Oliveira afirmou não ter conhecimento deste tipo de ilícitos, mas relembrou os resultados de um estudo encomendado pela AGIF que concluiu que "qualquer aquisição ou aluguer de meios à escala nacional deve ser precedida de uma avaliação custo-benefício".
"O negócio das empresas de meios aéreos é ir realugar meios lá fora e colocá-los à disposição do Estado português ou da ANEPC [Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil]. Eles não têm os meios próprios. Portanto, quanto mais meios vão ter que alocar, mais atividade vão ter no aluguer de recurso", disse, em resposta ao deputado do PS Pedro Vaz.
Nesse sentido, Tiago Oliveira acrescentou que sempre defendeu que há "vantagens em ter menos meios aéreos", mas a voarem "mais horas", devendo ter essas aeronaves capacidade de ataque, capacidade de transporte de pessoas e com maior capacidade de carga.
Aos deputados, o ex-presidente da AGIF recordou que entre 2021 e 2023 Portugal passou a alugar mais meios médios, o que causou pressão, tendo a Espanha afirmado que os concursos em Portugal estavam "a puxar os preços para cima, porque a pressão política de ter meios a tempo e a horas afeta o mercado".
"Vai haver mais de 70 meios, e os meios não existem no mercado, as empresas colocam para cá os meios, vão-se mexer para ter os meios ao preço que for. Há aqui uma oportunidade de reduzir custos. Como também há uma oportunidade de reduzir custos se a gestão dos meios aéreos for ibérica, não for só portuguesa", disse.
Em resposta ao deputado da Iniciativa Liberal Jorge Teixeira sobre a existência de interesses por parte de empresas, Tiago Oliveira defendeu também uma regulação do mercado da biomassa e da venda de madeira para lenhas, considerando que exige "um tipo de escrutínio e uma gestão de regulação pública".
"A biomassa é o fim da linha, e portanto isto exige uma regulação, exige informação, exige estatísticas florestais, exige inventário florestal atualizado e feito com rigor e com atualidade", disse.
A Comissão Parlamentar de Inquérito aos negócios dos incêndios florestais, imposta pelo Chega, pretende investigar as causas, a gestão e os eventuais negócios associados aos grandes fogos florestais.