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Incêndios. Luís Neves diz que novo Comando "não é uma matriosca"

Incêndios. Luís Neves diz que novo Comando "não é uma matriosca"

O Ministro da Administração Interna garante que o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), a estrutura criada pelo Governo e que envolve várias entidades com competências na prevenção e combate aos incêndios, já está a funcionar. 

Andreia Brito com Natália Carvalho - Antena 1 /
Andreia Brito com Natália Carvalho

Em entrevista ao podcast da Antena 1, Política com Assinatura, o Ministro da Administração Interna sublinha que esta estrutura não é uma “matriosca” e à pergunta se “este modelo resolve os problemas de coordenação ou apenas reorganiza a burocracia?”, Luís Neves responde que “este comando resolve ambas”.

Na primeira entrevista como MAI, Luís Neves, anuncia que estão, no terreno, 1500 operacionais, para que as zonas afetadas pelo comboio de tempestades em janeiro e fevereiro estejam preparadas para a época de incêndios. Além disso, cerca de 400 equipamentos já ajudaram a limpar mais de três mil quilómetros de estradas, aceiros e caminhos rurais.

Isto nunca aconteceu no país”, refere o MAI, que acrescenta que “o que também é inédito é que estamos a desconstruir muros. Aquilo que o Presidente da República diz que são os condomínios”.


Não podemos viver com esse estigma de que há sempre problemas. Estamos a derrubá-los”, conclui.
Elísio Oliveira, é ele quem lidera o CIPO
Tem muita experiência. É uma pessoa que consegue trabalhar em equipa” destaca o Ministro da Administração Interna sobre Elísio Oliveira, antigo Comandante Regional de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Nesta entrevista, Luís Neves explica que o Executivo cria o CIPO para responder à questão: “onde é que é muito urgente intervirmos?”, quando estão identificados 22 concelhos em situação de calamidade, a partir de Leiria e num raio em direção ao interior do país, resultado do comboio de tempestades que atingiu Portugal em janeiro e fevereiro.

E na defesa desta nova estrutura, o ministro deixa o aviso: “da minha parte, qualquer obstáculo será rapidamente afastado”, defendendo que a visão deve ser global e não “olhar para o umbigo de cada um de nós”.
“Quem comanda? Isso não é um problema”
O CIPO fica instalado em Leiria, porque é aí que está o “barril de pólvora”, expressão usada pelo MAI na apresentação dessa estrutura. E, dessa forma, “se chegarmos, no verão, a um momento de grandes e extraordinárias dificuldades, o Comando está montado para prosseguir na fase de combate”.

Luís Neves assegura que a voz de comando, no momento do combate aos fogos florestais, está atribuída aos bombeiros, “a grande espinha dorsal da Proteção Civil”, como os caracteriza.

No entanto o ministro admite que “se chegarmos a uma situação absolutamente excecional e extraordinária, pode vir o chapéu da ANEPC”.

Essa questão, está resolvida. Não é um problema”, assegura.
 
Reforma da Proteção Civil: “terá de haver dinheiro”
A criação do Comando Integrado de Prevenção e Operações é já um passo dado na reforma da ANEPC, esclarece o ministro da Administração Interna no Política com Assinatura da rádio pública.

Reforma que passa por promover o recrutamento e a retenção de profissionais, a formação de recursos humanos, entre outras matérias.

Terá de haver dinheiro. Se não há dinheiro, o país vai pagar isto muito mais caro com mais incêndios, mais destruição, mais abandono do território do interior, mais emissões de carbono, mais empresas a fechar” avisa Luís Neves.

Não é despesa, é investimento”, defende.

Mais do que convencer o colega das Finanças, o MAI diz que o mais importante é o Programa do Governo, que prevê como prioridade a área da Administração Interna, e o Programa de Transformação, Recuperação e Resiliência “para alavancar e não deixar de fazer os investimentos vitais para o exercício das funções de cada uma das estruturas que tutelo”, conclui.
Mudanças no SIRESP anunciadas nos próximos dias
O Governo vai fazer alterações no Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).

Temos outra redundância que iremos anunciar dentro de alguns dias. Vamos dar saltos muito qualitativos do ponto de vista da eficácia, da resposta e do alcance”, anuncia Luís Neves na Antena 1.

O MAI defende que o que se passou no apagão e nas tempestades não pode voltar a acontecer. E garante por isso que “em parte” no verão já serão visíveis mudanças no SIRESP. “Vamos ter mais equipamentos, mais retransmissores, e todos aqueles que necessitarão terão os canais, os equipamentos próprios para poderem comunicar”, promete o ministro.

Já encontrámos financiamento” para cumprir o que recomendou o primeiro-ministro sobre a matéria, adianta Luís Neves que refere que o SIRESP “é uma marca que está diabolizada, mas deixará de ser diabolizada porque cumprirá a sua missão”.
“O verão vai ser muito duro”
Sem rodeios, o ministro da Administração Interna deixa um aviso e faz um apelo aos proprietários dos terrenos, em particular nas zonas afetadas pelas tempestades: “o verão vai ser muito duro. Pedimos a vossa colaboração na limpeza e na desobstrução das nossas matas. O território precisa de ser limpo”.

São muitos hectares que temos de limpar”, relembra e não aponta um prazo para que essa limpeza esteja finalizada: “é um trabalho que acabaremos quando acabarmos”.

Luís Neves destaca ainda as Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP), um mecanismo de gestão conjunta de territórios de alto risco de incêndio e cuja limpeza implica a comparticipação do Estado através do Fundo Ambiental. “De dia para dia estão a ser criadas OIGP”, assegura.
“Se houver falhas de coordenação ou de comunicações nos incêndios temos de tomar decisões”
Sigo a caminho do verão preocupado, mas otimista” revela o ministro da Administração Interna.

Luís Neves garante que “há de facto mais meios este ano, mas é evidente que numa situação extrema há-de haver sempre uma questão de equilíbrio entre meios disponíveis e aquilo que são as absolutas necessidades”.

Isto é sempre uma luta desigual”, lamenta enquanto repete que “há de facto mais meios e mais condições para as pessoas que estão no terreno a trabalhar”.

À pergunta da editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, “se houver falhas de coordenação ou de comunicações este verão, serão falhas técnicas ou políticas?”, o ministro responde que “teremos de ver, espero que não ocorram ou se ocorrerem que possam ser mitigadas no mais curto espaço de tempo, de uma forma célere”.

Se houver alguma questão grave terá de ser avaliada no mais curto espaço de tempo e tomar decisões que se imponham”, conclui.
O regresso dos CDOS. “O documento existe”
O diploma existe, mas este não é ainda o momento para falar dele e aprová-lo. É desta forma que o ministro da Administração Interna se refere à eventual criação dos Comandos Distritais de Operações de Socorro (CDOS), estruturas desmanteladas em 2023 e substituídas por Comandos Sub-regionais de Emergência e Proteção Civil.

Luís Neves anda pelo país, num roteiro que já o levou a nove distritos, para “ver, conhecer, auscultar, saber todas as sensibilidades, todos os pequenos pormenores para, em consciência, tomar uma decisão final”.

Não vale a pena falarmos desse tema agora. O documento existe, mas estou a ouvir, há posições firmes...”, afirma.

Pergunta a editora de política da Antena 1, Natália Carvalho: “e compromete-se com algum calendário?”. O ministro responde: “será sempre no outono, depois do verão”.
O ministro da Administração Interna defende a profissionalização dos bombeiros. Na opinião de Luís Neves só assim o país conseguirá atrair recursos humanos para as corporações.

Defendo a profissionalização, em parte sim, não na totalidade porque não é possível nem desejável, porque se fôssemos por uma profissionalização a cem por cento muitos daqueles que têm outras profissões e que gostariam de dar o seu contributo de serviço público, ficariam à margem”, explica.
Entrevista conduzida por Natália Carvalho, editora de política da Antena 1.
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