País
Incêndios. Portugal continua sem apostar numa "verdadeira política de prevenção"
Segundo a Quercus, o país ainda não conseguiu concretizar "uma verdadeira política de prevenção estrutural, baseada na gestão integrada, sustentável e continuada da paisagem".
A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza alertou esta quinta-feira que Portugal continua “excessivamente dependente” do combate aos incêndios, continuando sem apostar numa “verdadeira política de prevenção estrutural”.
A redução do número de ignições e a melhoria da resposta operacional “não impediram que cerca de 271 mil hectares ardessem em Portugal em 2025”, lê-se num comunicado desta associação ambiental.
O relatório anual do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) revelou, segundo a Quercus, que houve progressos na coordenação institucional e na capacidade de resposta aos incêndios rurais, mas confirmou, ainda assim, que “os fatores que tornam o território vulnerável aos grandes incêndios” permanecem por resolver.
Os dados indicam que houve, no ano passado, 8.252 incêndios rurais, o terceiro valor mais baixo desde 2001. Apesar desta evolução positiva, arderam aproximadamente 271 mil hectares, o quarto valor mais elevado desde 2001.
“A concentração da área ardida num número muito reduzido de ocorrências é particularmente preocupante: apenas 44 incêndios foram responsáveis por cerca de 91% da área ardida nacional”, alerta a Quercus.
O principal desafio consiste, portanto, em evitar que um pequeno número de ocorrências evolua para incêndios de grande dimensão. “Mar de combustível”
A Quercus avisa que esta vulnerabilidade “é particularmente evidente nas serras do Centro e do Norte, onde extensas áreas contínuas de eucalipto e pinheiro-bravo, frequentemente pouco geridas, coexistem com a ausência de descontinuidades agrícolas, pastoris ou de vegetação autóctone”.
Esta homogeneização da paisagem “cria autênticos ‘mares’ de combustível, favorecendo a propagação rápida e intensa dos incêndios”, explica a associação. “Este modelo reduz ainda a diversidade ecológica, fragiliza os ecossistemas e compromete a sua capacidade de recuperação após o fogo”.
O relatório denuncia atrasos nas medidas com maior capacidade de reduzir o risco de incêndios, nomeadamente a valorização económica dos espaços rurais, a mobilização e organização da propriedade, a expansão do pastoreio extensivo ou a recuperação das áreas ardidas.
Além disso, para a Quercus, “a prevenção não pode resumir-se à limpeza periódica dos povoamentos ou à abertura de faixas lineares de gestão de combustível”, sendo necessária uma diversificação e reconversão progressiva das áreas mais vulneráveis “através da recuperação de mosaicos com usos agrícolas e pastoris, florestas autóctones, galerias ripícolas e outras formações naturais adaptadas às condições de cada território”.
A avaliação dos incêndios rurais “deve também atribuir maior importância à dimensão ecológica”, monitorizando a severidade do fogo e os impactos sobre os habitats, as espécies, os solos e os recursos hídricos.
Em 2025, os incêndios rurais em Portugal provocaram seis vítimas mortais, emitiram cerca de 3,6 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera e causaram perdas económicas diretas estimadas em 85 milhões de euros, relembra este relatório.
A redução do número de ignições e a melhoria da resposta operacional “não impediram que cerca de 271 mil hectares ardessem em Portugal em 2025”, lê-se num comunicado desta associação ambiental.
O relatório anual do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) revelou, segundo a Quercus, que houve progressos na coordenação institucional e na capacidade de resposta aos incêndios rurais, mas confirmou, ainda assim, que “os fatores que tornam o território vulnerável aos grandes incêndios” permanecem por resolver.
Os dados indicam que houve, no ano passado, 8.252 incêndios rurais, o terceiro valor mais baixo desde 2001. Apesar desta evolução positiva, arderam aproximadamente 271 mil hectares, o quarto valor mais elevado desde 2001.
“A concentração da área ardida num número muito reduzido de ocorrências é particularmente preocupante: apenas 44 incêndios foram responsáveis por cerca de 91% da área ardida nacional”, alerta a Quercus.
O principal desafio consiste, portanto, em evitar que um pequeno número de ocorrências evolua para incêndios de grande dimensão. “Mar de combustível”
A Quercus avisa que esta vulnerabilidade “é particularmente evidente nas serras do Centro e do Norte, onde extensas áreas contínuas de eucalipto e pinheiro-bravo, frequentemente pouco geridas, coexistem com a ausência de descontinuidades agrícolas, pastoris ou de vegetação autóctone”.
Esta homogeneização da paisagem “cria autênticos ‘mares’ de combustível, favorecendo a propagação rápida e intensa dos incêndios”, explica a associação. “Este modelo reduz ainda a diversidade ecológica, fragiliza os ecossistemas e compromete a sua capacidade de recuperação após o fogo”.
O relatório denuncia atrasos nas medidas com maior capacidade de reduzir o risco de incêndios, nomeadamente a valorização económica dos espaços rurais, a mobilização e organização da propriedade, a expansão do pastoreio extensivo ou a recuperação das áreas ardidas.
Além disso, para a Quercus, “a prevenção não pode resumir-se à limpeza periódica dos povoamentos ou à abertura de faixas lineares de gestão de combustível”, sendo necessária uma diversificação e reconversão progressiva das áreas mais vulneráveis “através da recuperação de mosaicos com usos agrícolas e pastoris, florestas autóctones, galerias ripícolas e outras formações naturais adaptadas às condições de cada território”.
A avaliação dos incêndios rurais “deve também atribuir maior importância à dimensão ecológica”, monitorizando a severidade do fogo e os impactos sobre os habitats, as espécies, os solos e os recursos hídricos.
Em 2025, os incêndios rurais em Portugal provocaram seis vítimas mortais, emitiram cerca de 3,6 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera e causaram perdas económicas diretas estimadas em 85 milhões de euros, relembra este relatório.