Infarmed dá "nega" a comparticipação de medicamento para doença de Alzheimer
A ministra da Saúde diz que o parecer foi negativo porque os fármacos "não apresentam valor terapêutico acrescentado".
A ministra da Saúde confirmou que o Infarmed deu parecer negativo à comparticipação de novos medicamentos utilizados para o tratamento do Alzheimer.
Apesar de já ter sido aprovado na Europa, Ana Paula Martins esclareceu que a autoridade do medicamento entendeu que os fármacos “não apresentam valor terapêutico acrescentado”.
A resposta surge na sequência de um alerta lançado na manhã desta quarta-feira pela responsável da Associação Alzheimer Portugal, para a necessidade de comparticipação pelo Estado de medicamentos inovadores que estavam a ser utilizados na Europa.
“É verdade que está disponível, é verdade que pode ser adquirido (…) é verdade que é muito caro (...), mas nós temos de ter a garantia daquilo que estamos a financiar”, justificou.
À saída da sessão de abertura da conferência ‘Doença de Alzheimer: Momento de Agir’', Ana Paula Martins disse aos jornalistas que “vários países da União Europeia já emitiram pareceres que não são positivos, são desfavoráveis” e, por isso, “Portugal não é uma exceção”.
A governante fez questão de salientar que a decisão baseou-se numa questão “técnica e não política”, e esclareceu que “seria uma péssima governação na Saúde” tomar uma decisão política “sem evidência técnica”.
Associação reclama comparticipaçãoA associação Alzheimer Portugal alertou as autoridades para a necessidade de comparticipar os medicamentos e fala numa “questão crítica” por causa do custo elevado que cria aos doentes uma barreira no acesso ao fármaco.
“Estamos a falar de soluções farmacológicas muito dispendiosas e que não estão ao acesso de todos, enquanto não forem devidamente comparticipadas e acessíveis" no Serviço Nacional de Saúde, disse à Lusa a presidente da associação doentes, responsável pela organização de conferência “Doença de Alzheimer: Momento de Agir” para assinalar o Dia Mundial do Cérebro.
238 mil com demência
Entretanto, os dados disponíveis da Alzheimer Portugal mostram que os utentes esperam em média 840 dias (à volta de dois anos) para aceder às novas terapias para as várias patologias que já estão autorizadas pela Comissão Europeia, mas cuja comparticipação não foi aprovada por Portugal.
Sobre a prevalência da doença no país, Rosário Zincke estima que cerca de 238 mil pessoas tenham demência, das quais 60% a 70% sofram de Alzheimer, mas, alerta, os números devem aumentar nos próximos anos.
E para 2050, os dados são mais expressivos: quase 4% da população pode apresentar alguma forma de demência, o que equivale a quase 370 mil pessoas.
Com Lusa