País
Infarmed investiga consumo de medicamentos à base de Omeprazol e Clopidogrel
A autoridade que regula o sector dos medicamentos está a investigar o consumo excessivo de dois medicamentos que ingeridos sem justificação clínica poderão revelar-se nocivos para a saúde. É o caso de medicamentos cujas substâncias activas são o Omeprazol e o Clopidogrel.
Os dois medicamentos alvos das investigações são os primeirosos, inibidores da bomba de protões que visam aliviar a azia e indigestões,e os segundos, antiagregantes plaquetários, habitualmente receitados para a prevenir acidentes cardiovasculares, respectivamente.
O presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), Vasco Maria, está "preocupado" com o que considera elevados consumos destes medicamentos no nosso país.
"Quando comparamos os nossos dados em Portugal com a média europeia, verificamos que em Portugal se utiliza muito mais esses medicamentos", o que "faz supor que se estão a utilizar em excesso", disse Vasco Maria.
As substâncias activas mais comuns deste tipo de medicamentos são o ”Omeprazol” e o “Clopidogrel”.
Até Setembro e desde Janeiro do corrente ano, foram vendidas nas farmácias 1.588.208 embalagens de ”Omeprazol”, num total de 67 milhões de euros, sendo nesse mesmo período o segundo mais vendido em Portugal, representando 14,5% das vendas de medicamentos em ambulatório.
Embora com vendas inferiores mas nem por isso deixando de se considerarem igualmente "elevadas", para Vasco Maria, está o ”Clopidogrel” utilizado essencialmente na prevenção de acidentes cardiovasculares, que constitui a principal causa de morte em Portugal.
Fármaco de grande prescrição
O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia reconheceu que o ”Omeprazol”, se trata de um fármaco de grande prescrição.
Hermano Gouveia explica que isso se deve a vários factores, a começar pelo preço do medicamento que baixou significativamente nos últimos anos, muito devido ao efeito do aparecimento no mercado dos genéricos.
O especialista explica que o seu consumo se deve ainda ao aumento dos casos de doenças que precisam deste medicamento, como o refluxo gástrico.
Não é apenas nestes casos que é utilizado. Também noutras doenças, como as do foro reumático, ele é utilizado para proteger o estômago dos anti-inflamatórios que os doentes se vêm obrigados a tomar com alguma habitualidade, explicou.
Hermano Gouveia alerta que o medicamento em causa pode no entanto, estar a ser ingerido em casos mais simples, como enfartamento ou dor no estômago, e que poderiam perfeitamente ser alvo de outra resposta, que não necessariamente o uso do “Omeprazol”.
No que diz respeito aos chamados antiagregantes plaquetários, cuja substância activa mais utilizada é o ”Clopidogrel”, o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia admitiu que poderá haver alguma "prescrição inadequada" por parte dos médicos.
Manuel Carrageta não deixou, no entanto, de apontar o aumento das técnicas de intervenção cardíaca como uma das razões que poderão contribuir para uma prescrição tão elevada.
"Os hospitais prescrevem muito (Clopidogrel”) devido à cardiologia de intervenção", uma área que está a "crescer muito" e que implica que os doentes intervencionados tomem o ”Clopidogrel” durante um período nunca inferior a um ano.
Sendo um medicamento "caro" – uma caixa de 28 comprimidos custa cerca de 60 euros –, "qualquer pequeno aumento de venda tem reflexos imediatos".
Graves riscos para utilização incorrecta
O presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia alertou para o facto de que são "medicamentos muito potentes, que têm potencial para provocar hemorragias".
"Quando se toma um medicamento que não é absolutamente necessário, há sempre riscos", alertou o presidente da FPC.
Manuel Carrageta, não acusando os seus colegas de exagerarem no receituário destes medicamentes que são de receita médica obrigatória, deixa no entanto, um aviso para a necessidade de os restringir aos casos em que eles sejam de facto absolutamente necessários.
A investigação do Infarmed visa "colaborar com as Administrações Regionais de Saúde e com os centros de saúde para saber o que se está a passar".
Os dois medicamentos alvos das investigações são os primeirosos, inibidores da bomba de protões que visam aliviar a azia e indigestões,e os segundos, antiagregantes plaquetários, habitualmente receitados para a prevenir acidentes cardiovasculares, respectivamente.
O presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), Vasco Maria, está "preocupado" com o que considera elevados consumos destes medicamentos no nosso país.
"Quando comparamos os nossos dados em Portugal com a média europeia, verificamos que em Portugal se utiliza muito mais esses medicamentos", o que "faz supor que se estão a utilizar em excesso", disse Vasco Maria.
As substâncias activas mais comuns deste tipo de medicamentos são o ”Omeprazol” e o “Clopidogrel”.
Até Setembro e desde Janeiro do corrente ano, foram vendidas nas farmácias 1.588.208 embalagens de ”Omeprazol”, num total de 67 milhões de euros, sendo nesse mesmo período o segundo mais vendido em Portugal, representando 14,5% das vendas de medicamentos em ambulatório.
Embora com vendas inferiores mas nem por isso deixando de se considerarem igualmente "elevadas", para Vasco Maria, está o ”Clopidogrel” utilizado essencialmente na prevenção de acidentes cardiovasculares, que constitui a principal causa de morte em Portugal.
Fármaco de grande prescrição
O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia reconheceu que o ”Omeprazol”, se trata de um fármaco de grande prescrição.
Hermano Gouveia explica que isso se deve a vários factores, a começar pelo preço do medicamento que baixou significativamente nos últimos anos, muito devido ao efeito do aparecimento no mercado dos genéricos.
O especialista explica que o seu consumo se deve ainda ao aumento dos casos de doenças que precisam deste medicamento, como o refluxo gástrico.
Não é apenas nestes casos que é utilizado. Também noutras doenças, como as do foro reumático, ele é utilizado para proteger o estômago dos anti-inflamatórios que os doentes se vêm obrigados a tomar com alguma habitualidade, explicou.
Hermano Gouveia alerta que o medicamento em causa pode no entanto, estar a ser ingerido em casos mais simples, como enfartamento ou dor no estômago, e que poderiam perfeitamente ser alvo de outra resposta, que não necessariamente o uso do “Omeprazol”.
No que diz respeito aos chamados antiagregantes plaquetários, cuja substância activa mais utilizada é o ”Clopidogrel”, o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia admitiu que poderá haver alguma "prescrição inadequada" por parte dos médicos.
Manuel Carrageta não deixou, no entanto, de apontar o aumento das técnicas de intervenção cardíaca como uma das razões que poderão contribuir para uma prescrição tão elevada.
"Os hospitais prescrevem muito (Clopidogrel”) devido à cardiologia de intervenção", uma área que está a "crescer muito" e que implica que os doentes intervencionados tomem o ”Clopidogrel” durante um período nunca inferior a um ano.
Sendo um medicamento "caro" – uma caixa de 28 comprimidos custa cerca de 60 euros –, "qualquer pequeno aumento de venda tem reflexos imediatos".
Graves riscos para utilização incorrecta
O presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia alertou para o facto de que são "medicamentos muito potentes, que têm potencial para provocar hemorragias".
"Quando se toma um medicamento que não é absolutamente necessário, há sempre riscos", alertou o presidente da FPC.
Manuel Carrageta, não acusando os seus colegas de exagerarem no receituário destes medicamentes que são de receita médica obrigatória, deixa no entanto, um aviso para a necessidade de os restringir aos casos em que eles sejam de facto absolutamente necessários.
A investigação do Infarmed visa "colaborar com as Administrações Regionais de Saúde e com os centros de saúde para saber o que se está a passar".