Infecções nos hospitais de Mirandela e Covões sem relação, garante responsável da Direcção Geral Saúde

Infecções nos hospitais de Mirandela e Covões sem relação, garante responsável da Direcção Geral Saúde

A coordenadora do programa nacional de prevenção e controlo de infecções adiantou hque as infecções detectadas nos hospitais de Mirandela (Bragança) e Covões (Coimbra) não estão relacionadas e que na unidade de Trás-os-Montes a situação está "controlada".

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"As duas situações não estão relacionadas uma com outra", declarou à Agência Lusa Cristina Costa, coordenadora nacional do programa nacional de prevenção e controlo de infecções associadas aos cuidados de saúde.

O caso do hospital de Mirandela, onde cinco pacientes operados aos olhos foram afectados por uma infecção, "está controlado, o prognóstico dos doentes é favorável", estando prevista a divulgação do relatório final para breve.

No entanto, a responsável adiantou que não foi isolado qualquer microorganismo no local.

O director clínico do Centro Hospitalar do Nordeste, Sampaio da Veiga, disse à Lusa que a infecção, que afectou os cinco pacientes, ainda em risco de cegueira, poderá ter tido origem no colírio (gotas oftalmológicas) utilizado.

A mesma fonte informou que a situação dos pacientes, três dos quais ainda hospitalizados, "está a evoluir". No entanto, afirmou não poder "garantir" que os pacientes possam recuperar a visão.

Sobre a unidade de Covões, distrito de Coimbra, onde foi detectada uma outra infecção em cinco idosos operados aos olhos, a especialista da Direcção-Geral de Saúde, referiu que em principio se trata de um surto provocado pela bactéria pseudomonas aeroginosa.

"Mas apenas exames mais sofisticados poderão dar a certeza de que se trata da mesma bactéria implicada nos cinco casos", explicou.

Neste hospital foi nomeada uma comissão de inquérito conduzida por um gestor de risco, cujo trabalho deverá estar concluído no final da próxima semana.

A comissão vai analisar todos os processos dos 18 doentes operados naquele dia, assim como verificar os circuitos dos blocos operatórios e dos serviços, os materiais usados e entrevistar os profissionais envolvidos.

"A sala foi imediatamente desinfectada, os materiais foram todos deitados fora e penso que as coisas estão controladas", avançou a especialista, que lembrou que doentes e profissionais podem ser portadores de bactérias quando chegam ao hospital e que por isso é fundamental "cumprir regras das boas praticas para evitar transmissão cruzada de infecção, de onde ela existe ou da contaminação para outros hospedeiros".

"Não é normal que a situação do hospital dos Covões tivesse ocorrido. Mas por vezes acontece. As bactérias às vezes são do hospital, outras vezes não e há casos em que os próprios doentes já têm factores de risco, como neste caso em que os doentes são todos idosos. Podem existir outros factores como diabetes ou úlceras externas, que também são factores de contaminação", referiu.

Para Cristina Costa, "basta haver uma quebra em determinado procedimento para as infecções acontecerem".

A directora clínica do Hospital de Covões, Deolinda Portelinha, confirmou à Lusa a existência de uma investigação que deverá permitir "uma possível identificação da causa" da contaminação pela bactéria "pseudomonas aeroginosa" e indicar "eventuais medidas correctivas" para o futuro.

Deolinda Portelinha assegurou que apenas uma das cinco pessoas internadas - e não duas - foi sujeita a extracção de um dos olhos, no dia 22, devido à infecção. A directora clínica prevê que este doente "tenha alta brevemente".

A situação de dois dos cinco doentes "está a evoluir favoravelmente", mas os médicos "têm ainda dúvidas" em relação aos restantes, precisou.


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