Inspectores da PJ confirmam rajada que vitimou João Melo
Os dois inspectores da Polícia Judiciária ouvidos hoje no Tribunal do Marco de Canaveses confirmaram a ocorrência de duas rajadas de metralhadora no tiroteio em que, em Janeiro de 2001, foi mortalmente atingido o inspector João Melo.
Os inspectores Sobreiro da Silva e Branca Nabais relataram ao tribunal a sua participação nos acontecimentos ocorridos em 25 de Janeiro de 2001 em Carv alhosa, Marco de Canaveses.
Ambos garantiram que foram disparadas duas rajadas de metralhadora, fac tos que o arguido José Augusto Barbosa confessou na primeira audiência, designad amente quando disse ter empunhado uma Kalashnikov.
Sobreiro da Silva, que veio propositadamente do Funchal para depor pres encialmente, devido às dificuldades técnicas na audição por vídeo-conferência, c onfirmou que dois dos tiros acertaram no pára-brisas da viatura em que circulava .
Sobre a participação de João Melo, o inspector que veio a ser assassina do, Sobreiro da Silva diz que está convencido de que ele não teve tempo para dis parar.
"Acredito que se João Melo tivesse disparado [a shotgun que lhe estava atribuída] tinha resolvido a situação", frisou.
Este elemento da Polícia Judiciária recordou, a propósito, que os inspe ctores são ensinados durante a formação a responder apenas quando são atacados a tiro.
Branca Nabais, que seguia, na altura, no mesmo automóvel com inspector- chefe Júlio Santos, confirmou não ter chegado a utilizar a sua arma nem a dispar ar qualquer tiro "porque tinha os colegas na sua frente e nem sequer os via devi do às luzes dos faróis dos veículos parados na via".
Confirmou, contudo, que ouviu as duas rajadas de metralhadora.
Júlio Santos, que terminou também hoje o seu depoimento, reafirmou ter disparado sete tiros, dois para o ar, dois contra o carro que o tentou atropelar e os restantes contra a traseira da mesma viatura, após encetar a fuga e imedia tamente antes de ter sido atropelado pelo segundo automóvel dos assaltantes.
A sessão do julgamento ficou marcada pelo indeferimento do requerimento apresentado na sessão anterior pela defesa de José Augusto Barbosa, relacionado com o pedido de um relatório de balística sobre as armas utilizadas pelos inspe ctores e as munições disparadas.
O presidente do colectivo indeferiu o requerimento, ditando para os aut os "que as questões suscitadas já se mostram na sua essência e maioria respondid as nos autos".
O juiz esclareceu ainda que os documentos insertos nos autos assinalam que o colete do inspector João Melo foi alvo de perfuração por projéctil de cali bre 7,62 (a munição da Kalashnikov) e que um fragmento da belindagem de um projé ctil 7,62 foi retirado do corpo do inspector na altura da realização da autópsia .
Uma acareação entre Júlio Santos e o arguido José Augusto Barbosa foi r equerida pela defesa para se verificar se ouve troca de palavras entre os dois, mas a diligência mostrou-se inconclusiva.
O inspector continua a garantir que não ouviu qualquer palavra e o argu ido, que afirma o contrário, também não consegue identificar com precisão quem era a pessoa que viu à sua frente e a quem apontou a arma.
A defesa de Paulo Cunha, outro dos três arguidos, que tem insistido na questão das distâncias e do posicionamento dos veículos no local do tiroteio, ad mitiu hoje a intenção requerer uma deslocação do tribunal ao local dos factos, e m Carvalhosa, Marco de Canaveses.
O tribunal de Marco de Canaveses está a julgar, desde meados de Novembr o, um crime de homicídio qualificado, do qual resultou a morte do inspector João Melo, relativamente ao qual foram pronunciados, em co-autoria, os arguidos José Augusto Ferreira Barbosa e Paulo Jorge Ferreira da Cunha.
O terceiro arguido, José Fernando Barbosa, é acusado, em co-autoria, de um homicídio qualificado na forma tentada.
O julgamento prossegue a 13 de Dezembro com o depoimento de um especial ista em balística e do responsável da Polícia Judiciária pela investigação que s e seguiu ao crime que vitimou João Melo.