Integração de funcionários na PSP é "muito positiva" -- diretor nacional
Funchal, 08 set (Lusa) -- O diretor nacional da PSP disse hoje que a decisão do Governo de integrar nas forças de segurança funcionários dos governos civis é uma medida "muito positiva", lamentando apenas que as instituições hoje extintas "tenham tão pouca gente".
"Temos algumas necessidades relativamente a pessoal com funções não policiais para essas tarefas administrativas, pena é que os governos civis tenham tão pouca gente", afirmou Guedes da Silva.
O diretor nacional reconheceu que a PSP estava "a precisar de mais".
"Com todos os que vierem - e sei que há muita boa vontade de muitos desses funcionários dos governos civis que vão ser extintos que querem vir para a PSP mesmo -- junta-se uma vontade à outra", afirmou Guedes da Silva.
O diretor nacional falava aos jornalistas depois de uma audiência com o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, no Funchal, onde se encontra para as comemorações do 133.º aniversário do Comando Regional da PSP, que se assinala na sexta-feira.
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, anunciou hoje o fim dos governos civis e informou que uma "parte substancial" dos seus funcionários "serão, em princípio, integrados como pessoal não policial das forças de segurança", para "reforçar com pessoal administrativo as forças de segurança e libertar para as operações do dia a dia guardas, polícias que estão a fazer hoje esses serviços".
Questionado sobre o impacto desta medida no reforço da ação da PSP, Guedes da Silva respondeu: "Tem [impacto] a partir do momento em que há elementos policiais com funções policiais que poderão ser desviados para o desempenho dessas funções".
Sobre o número de efetivos na Região Autónoma da Madeira, o responsável garantiu que "está na média nacional", reconhecendo, contudo, que "nunca há nenhum comandante que diga que tem pessoal em quantidade suficiente, que tem material em quantidade suficiente".
Guedes da Silva anunciou, a este propósito, que entre 20 a 30 polícias vão integrar o Comando Regional da Madeira da PSP a partir de outubro, quando sair um grupo de quase mil agentes da Escola Prática de Polícia.
O responsável rejeitou ainda que seja a abertura de novas esquadras que "confere segurança" às populações, considerando que o sentimento de segurança "não pode variar em função de uma instalação policial", mas antes "em função dos elementos que virem na rua".
Quanto ao pagamento dos serviços gratificados à PSP, o diretor nacional reconheceu atrasos, defendendo ser necessário "perceber que as instituições também passam por momentos em que têm de rever todos os seus procedimentos para poderem pagar aquilo que devem" e assinalando que "o Estado também tem atrasos relativamente ao pagamento de alguns compromissos".
"Não temos grande atraso relativamente aos remunerados mais caros, temos sim em relação aos remunerados mais baratos e que têm a ver com o policiamento dos jogos das camadas mais jovens", declarou.
Guedes da Silva anunciou também que "está proposta a nomeação" do novo comandante regional, cujo nome se escusou a revelar, referindo apenas que será "a curto prazo".