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Investigação de Coimbra estuda papel do sexo biológico em "determinados transtornos"

Investigação de Coimbra estuda papel do sexo biológico em "determinados transtornos"

Cientistas da Universidade de Coimbra procuram pistas para compreender de que forma o sexo biológico influencia o neurodesenvolvimento e a suscetibilidade a infeções, após estudos científicos anteriores terem revelado uma maior suscetibilidade masculina a condições como a sepse. Os resultados podem abrir caminho a novas terapias que melhorem a prevenção face a complicações de saúde nos primeiros dias de vida.

Carla Quirino - RTP /
Universidade de Coimbra

A investigação recorre a ratos recém-nascidos, também conhecidos por murganhos, para a estudar o cérebro logo após o nascimento.

O projeto de investigação BarriersReveal – Desvendar o papel do sexo nas barreiras cerebrais durante o período neonatal associa a variável da diferença biológica entre masculino e feminino à nascença para identificar vulnerabilidades.

Esta investigação tem como base dados lançadas em estudos científicos anteriores, que revelaram uma maior suscetibilidade masculina a condições como a sepse - septicemia ou infeção generalizada.A sepse é uma resposta extrema do sistema imunitário a uma infeção grave. Danifica os seus próprios tecidos e órgãos e que no limite pode levar à falência dos órgãos e consequentemente à morte.

O projeto de investigação vai decorrer durante um ano e meio, sendo coordenado pela investigadora do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT) do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra (UC), Vanessa Coelho-Santos, que se tem dedicado ao estudo do cérebro no período neonatal, que corresponde aos primeiros 28 dias de vida do bebé.
As perguntas da investigação
“Os estudos científicos têm mostrado que bebés e crianças do sexo masculino têm maior risco de desenvolver transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e hiperatividade, frequentemente associados a infeções neonatais e neuroinflamação”, alega a investigadora.

Porém “continuamos a não saber fisiologicamente como é que o sexo biológico influencia a maturação dos vasos e barreiras cerebrais, assim como a composição neuroimunológica, e como é que molda a suscetibilidade do sexo masculino a determinados transtornos ou o porquê de o sexo feminino ser mais resiliente e é isso que procuramos revelar com esta investigação”, continua.

Ao realçar a importância de estudar o cérebro no período imediatamente após o nascimento, a cientista sustenta que “o cérebro neonatal está particularmente desprotegido devido ao intenso crescimento vascular e ao amadurecimento da barreira hematoencefálica, mas também ao sistema imunitário imaturo que protege o nosso cérebro”.

Desta forma, ”face a estas vulnerabilidades, é essencial conhecermos a fundo os impactos destes processos fisiológicos de crescimento para que seja possível desenvolver, futuramente, intervenções que impeçam a propagação de problemas que possam ter origem neste momento de vulnerabilidade do cérebro humano”, sublinha.

O projeto pré-clínico propõe-se estudar as barreiras cerebrais que controlam a comunicação com o sistema periférico.

Entre as barreiras cerebrais estão “as meninges, que envolvem e protegem o cérebro e contêm células imunes; a barreira hematoencefálica, que regula a passagem de substâncias e células do sangue para o cérebro, garantindo a sua proteção; e o plexo coroide, que, além de produzir o líquido que envolve o cérebro, também ajuda a controlar a resposta imunitária. Estas estruturas desempenham um papel essencial na defesa do cérebro, influenciando a forma como reage a infeções, toxinas e inflamações nos primeiros dias de vida”, explica o comunicado divulgado esta quinta-feira.

Vanessa Coelho-Santos argumenta a necessidade da investigação recorrer a murganhos para analisar a composição imunológica e a maturação nas diversas barreiras entre os sexos masculino e feminino durante o período neonatal. “Como ainda não existem dados moleculares disponíveis em seres humanos, o estudo começa em modelos pré-clínicos, com o intuito de, posteriormente, comparar os resultados com tecidos humanos”.

Durante o processo da análise, as informações cerebrais vão ser obtidas com recurso a imagens do cérebro em tempo real. Vão estra a ser registadas a partir de microscopia de dois fotões, uma metodologia de imagem de ponta que permite captar imagens de alta resolução ao longo do tempo.

Para examinar as várias propriedades das células, a equipa cientifica utilizará ainda uma técnica laboratorial chamada citometria de fluxo, que permite.

“Estas interfaces vão ser estudadas de forma comparativa entre murganhos recém-nascidos de ambos os sexos para que seja possível perceber que diferenças existem entre o sexo feminino e o sexo masculino, e como é que esses aspetos diferenciadores explicam e conduzem à já provada maior suscetibilidade do sexo masculino a infeções e doenças do neurodesenvolvimento”, esclarece a investigadora.

A investigação conta com investigação com cerca de 50 mil euros, ao ser financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, O projeto tem também a parceria da médica e investigadora do Instituto de Investigação Infantil de Seattle, Juliane Gust.
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