Investimentos estão a atrair portugueses à RD Congo
O secretário de Estado das Comunidades revelou que os investimentos das empresas portuguesas na República Democrática do Congo estão a atrair muitos portugueses ao país onde a comunidade, actualmente com 950 pessoas, já contou 25 mil.
"A comunidade portuguesa é cada vez mais significativa e está a recuper ar a sua representação, sobretudo devido a investimentos como o que a Portugal T elecom (PT) está a realizar no país", disse António Braga à Agência Lusa a parti r de Kinshasa no início da visita de quatro dias que está a realizar à República Democrática do Congo.
Em dez anos, a comunidade portuguesa residente na República Democrática do Congo diminuiu de 25 mil pessoas para as actuais 950, quando os portugueses começaram a abandonar o país devido às sucessivas guerras, designadamente a guer ra civil de 1998/2002 que fez três milhões de mortos e quatro milhões de refugia dos.
Contudo, empresas portuguesas que estão a investir na República Democrá tica do Congo têm levado muitos portugueses ao país.
"A PT está a fazer investimentos na ordem dos 400 milhões de dólares (3 13 milhões de euros) em projectos ligados ao sector das telecomunicações, que ir ão criar cerca de 400 postos de trabalho", afirmou o titular da pasta da Emigraç ão.
António Braga esteve hoje reunido com o ministro dos Negócios Estrangei ros e da Cooperação Internacional congolês, Ramazani Baya, com quem debateu um a profundamento das relações entre os dois países.
"Temos uma relação antiga com a República Democrática do Congo e consid eramos que este é um país em que podemos apostar para a internacionalização das empresas portuguesas e na sua inserção em áreas estratégicas", acrescentou.
A Escola Portuguesa de Kinshasa esteve também em cima da mesa, com o se cretário de Estado a defender que apesar dos problemas que enfrenta, pode ter no futuro "um papel mais forte".
"Houve uma drástica diminuição de alunos (passou de mais de 500 para 35 ) devido à diminuição da comunidade, mas consideramos que a língua portuguesa co nstituirá um reforço para todos os seus falantes e poderá ter uma presença forte no país", disse António Braga.
Hoje, o titular da pasta da Emigração vai ainda presidir à inauguração da Semana da Gastronomia e Cultura Portuguesa, que decorre até dia 18 de Maio.
Durante a visita, que termina sábado, António Braga irá também abordar com membros do Governo congolês as eleições presidenciais e legislativas de 30 d e Julho, à luz do apoio militar que Portugal dará à preparação deste escrutínio no âmbito de uma missão da União Europeia.
Este acto eleitoral é o primeiro que se realiza democraticamente no paí s em 40 anos de independência e deverá pôr termo a uma frágil transição política iniciada em 2003, após a assinatura dos acordos de paz, em 2002.
Três anos depois de uma guerra civil que devastou o país, há ainda parc elas do território que estão fora do controlo do Governo provisório, liderado po r Joseph Kabila.