Irmãos do segurança abatido em Miragaia chamados à PJ

Irmãos do segurança abatido em Miragaia chamados à PJ

Porto, 05 Dez (Lusa) - A família do segurança abatido a tiro em Miragaia, Porto, em 29 de Novembro, ainda "não tem notícia" de qualquer detenção relacionada com o caso e apenas confirma a chamada, à PJ/Porto, de três irmãos do assassinado, disse hoje à Lusa Rita Sardinha, do escritório de advogados que a representa.

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O empenho da família em ajudar a esclarecer o homicídio de Ilídio Correia foi hoje sublinhado por Rita Sardinha que sustentou "não ser verdade que a família se recuse a colaborar com a justiça".

Estas afirmações da advogada desmentem notícias, de sentido contrário, veiculadas nos últimos dias por vários órgãos de comunicação social.

Rita Sardinha não avançou qualquer indicação sobre eventuais informações que os três irmãos, do segurança assassinado, terão fornecido à PJ.

Esta polícia também nada esclareceu sobre o evoluir das investigações.

"Não é oportuno prestar qualquer esclarecimento", reiterou fonte oficial da Directoria da PJ/Porto, um dia após ser confrontada pela Lusa com uma sucessão de críticas ao trabalho dos seus investigadores nestes casos.

A Direcção Nacional da PJ também pretende manter o silêncio sobre este e outros homicídios de pessoas ligadas à segurança nocturna no Porto assegurou, à Lusa, fonte do gabinete de imprensa em Lisboa.

A Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP) sustenta que os crimes resultam de "um défice de investigação" e o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse não compreender como se perde tempo com processos "menores", como o Apito Dourado, e não se resolvem os casos de violência na noite.

O segurança Ilídio Correia, 33 anos, foi morto a tiro na madrugada de 29 de Novembro junto à Alfândega do Porto.

Pelo menos quatro outras pessoas, associadas ao mundo da noite do Porto, foram assassinadas desde Maio deste ano.

Para a esfera judicial vai passar, entretanto, outro caso que o Ministério Público (MP) relaciona com "grupos rivais ligados à segurança privada e ao mundo da noite" no Porto.

Em causa está um disparo fatal que atingiu Bessa Sebastião (conhecido como o Xano) às primeiras horas de 26 de Março de 2006, junto à discoteca "Maré Alta", à beira Douro.

O MP sustenta que Reginaldo Semedo (o Rijo) atingiu Xano nas costas com um tiro de uma pistola de calibre 0,22 milímetros.

O incidente começou com pancadaria no interior da própria discoteca e um disparo, atribuído ao falecido, que acabaria por ferir um terceiro.

O julgamento, que vai decorrer no Tribunal de São Novo, está ainda por agendar, confirmou à Lusa o advogado de Reginaldo Semedo, Agostinho Silva.

Num outro caso associado à noite do Porto, um segurança e antigo pugilista do Boavista, António Pedro Quicanga, foi condenado, em Julho deste ano, a 18 meses de prisão, com pena suspensa por dois anos.

Quicanga estava acusado de dois crimes de homicídio tentados, ocorridos em 2005, em casas nocturnas e ginásios de Matosinhos e da Maia.

No julgamento, o colectivo de juízes da 2/a Vara Criminal de São João Novo condenou-o apenas por posse ilegal de armas e ofensas à integridade física, absolvendo-o da acusação de tentativas de homicídio.

Os juízes entenderam que não ficou provada a intenção de matar, mas apenas a de ameaçar pessoas com quem estava incompatibilizado.

JGJ.


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