Jardim japonês com 461 cerejeiras inaugurado em Belém no início do Verão
Um jardim japonês com 461 cerejeiras, tantos quantos os anos das relações entre Portugal e o Japão, deverá ser inaugurado em Belém no início do Verão, adiantou hoje à Lusa uma responsável pelo projecto.
"O jardim japonês começou a ser construído no primeiro dia da Primavera e deverá estar concluído 90 dias depois, a 21 de Junho", disse à agência Lusa Leonilda Alfarrobinha, directora da Associação de Amizade Portugal-Japão, entidade promotora da iniciativa.
O projecto, junto ao Museu de Arte Popular, surge no âmbito de um protocolo celebrado no Verão passado entre a associação, a Câmara Municipal e a Administração do Porto de Lisboa (APL).
Com 461 cerejeiras - "sakura" em japonês, uma árvore particularmente apreciada pelos japoneses - o jardim representará a amizade entre os dois países, reflectindo as duas culturas.
Durante a primeira fase de construção, actualmente a decorrer e orçada em 200 mil euros, o terreno será modelado em colinas cobertas de relva, sendo as árvores dispostas em forma de um texto em caracteres japoneses e em escrita ocidental.
De um lado, as cerejeiras serão colocadas em linha, com espaços entre elas como as palavras de um texto em português, enquanto a "marginação do texto" é feita à esquerda, deixando as "palavras" abertas sobre o vale central.
Sobre as colinas do espaço oposto, as árvores desenham uma mancha de texto em japonês, marginada à direita e construindo blocos com linhas em branco entre si.
Este ano não será, contudo, possível assistir à floração das cerejeiras, que só ocorre em Abril.
Segundo Leonilda Alfarrobinha, o projecto, que no total custará mais de 600 mil euros, inclui duas outras fases, que prevêem a instalação de paliçadas em bambu e a criação de lagos com nenúfares, seguindo-se a construção de um pavilhão japonês.
De acordo com António Mourão, presidente da comissão instaladora do jardim, "a segunda fase do projecto é extremamente importante, para criar uma separação e uma sensação de intimidade dentro do jardim, e que permitirá também prevenir algum vandalismo".
"Estamos a lutar para que seja possível tomar uma decisão ainda antes de estarem concluídos estes trabalhos, para que a segunda fase comece logo a seguir, sem interrupções", adiantou o responsável.
O futuro do jardim depende, no entanto, de apoios, tendo até agora sido recolhidos donativos principalmente junto da Fundação Osaka Expo 70, que trabalha na divulgação da cultura japonesa, e de empresas japonesas que operam em Portugal.
Também a Fundação Oriente e a Calouste Gulbenkian já apoiaram esta iniciativa.
"Pese embora o excelente apoio da Câmara e da APL, precisamos de obter fundos, pelo que vamos lançar em breve mais uma campanha de angariação junto de empresas ligadas ao Japão", explicou António Mourão.
O pavilhão japonês, a terceira fase do projecto, poderá acolher uma casa de chá ou um restaurante, mas por enquanto "ainda é um sonho".