José Faria afirma ter informações sobre assassínio de Joaquim Ferreira Torres
Porto, 24 Abr (Lusa) - José Faria, a testemunha-chave no processo contra Avelino Ferreira Torres que decorre no Tribunal do Marco de Canaveses, disse hoje à Lusa que vai contar ao MP um encontro que teve com alguém que sabe pormenores do assassínio do irmão do ex-autarca, em 1979.
"Vou falar de uma deslocação ao Algarve para ter com umas pessoas que iam para o Brasil onde se encontrariam com o presumível assassino do irmão [de Ferreira Torres], que estava lá", salientou, sem adiantar mais pormenores, porque pretende "falar primeiro" com o Ministério Público sobre este assunto.
Contactado pela Lusa, Avelino Ferreira Torres negou as acusações relativas à viagem alegadamente relacionada com a morte do seu irmão.
"José Faria é louco", disse.
"É tudo mentira, tudo mentira", frisou Ferreira Torres, acrescentando não estar preocupado que o seu ex-motorista conte este assunto ao Ministério Público.
"Ele que conte o que quiser, as pessoas não são assim tão burras que acreditem em tudo", afirmou.
Joaquim Ferreira Torres foi assassinado a 21 de Agosto de 1979, no lugar do Barro Branco, em Paredes, na estrada Paços de Ferreira/Paredes.
O empresário, que conduzia um Porsche, foi emboscado numa curva da estrada, tendo sido atingido por várias balas no tronco e na cabeça.
Presidente da Câmara de Murça, antes do 25 de Abril, Joaquim Ferreira Torres estava a ser investigado pela PJ por alegadas ligações à rede bombista.
José Faria disse que vai também - para corroborar a sua ligação próxima a Ferreira Torres - contar ao tribunal "as viagens que fez de madrugada para Lisboa para ir ter com um certo senhor".
No depoimento ao tribunal, a testemunha, que foi motorista do ex-presidente durante quatro anos, promete divulgar outros assuntos relacionados com a autarquia do Marco de Canaveses, ao tempo em que era liderada por Avelino Ferreira Torres.
"Sobre a vida do Avelino [Ferreira Torres] não haverá quem saiba mais do que eu, nem sequer a mulher e os filhos", disse José Faria.
FR/JDS.
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