Jovem diz que testemunha tinha cópias de declarações de vítimas à PJ

Jovem diz que testemunha tinha cópias de declarações de vítimas à PJ

O jovem que hoje depôs no julgamento da Casa Pia declarou que se zangou com a principal testemunha do processo após descobrir que este tinha em seu poder, durante as investigações, um dossier com cópias das declarações das vítimas à PJ.

Agência LUSA /

Fontes ligadas ao processo adiantaram que a testemunha referiu hoje, na 160/a sessão do julgamento, que ele e outro antigo aluno casapiano, também testemunha no processo, viram, em Fevereiro de 2003, na posse da principal testemunha, um dossier contendo cópias dos depoimentos das vítimas à PJ e uma fotografia do ex-líder do PS Ferro Rodrigues com o então provedor da instituição, Luís Rebelo, que não consta do processo.

De acordo com os relatos, o jovem, actualmente com 24 anos, disse que ele e a outra testemunha se zangaram com o antigo braço- direito de Carlos Silvino (Bibi) e que lhe roubaram esse dossier, tendo-o entregue depois à então advogada da Casa Pia, Sónia Pedrosa.

De acordo com o relato, explicou que se zangaram por não perceberem por que motivo a principal testemunha, que, na sua opinião, se julgava importante, tinha em seu poder cópias dos depoimentos dos jovens prestados à PJ e eles não.

Outro dos motivos da zanga apresentado em tribunal foi o facto de a principal testemunha na altura andar a vender cartas de condução falsificadas.

O jovem, que terminou hoje o seu depoimento e que já prestara declarações na passada quinta-feira, disse ainda em tribunal que ficou amigo do inspector Dias André, um dos elementos da PJ que participou nas investigações e que, ainda a semana passada, esteve com ele.

Fontes ligadas ao processo adiantaram que o rapaz disse que antes de uma entrevista que deu à TVI, no mesmo dia em que o ex- deputado socialista Paulo Pedroso foi detido (21 de Maio de 2003), Dias André lhe telefonou a dizer para não participar na entrevista e, se o fizesse, para não falar de nomes que ainda não tinham vindo a público.

A testemunha disse ainda em tribunal que, terça-feira, almoçou com Olga Miraldo, secretária da provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, e que durante a refeição estiveram a falar do julgamento.

à saída do julgamento, o advogado da Casa Pia Miguel Matias, questionado sobre se era normal uma testemunha manter contactos de amizade com os investigadores do processo, respondeu: "Este processo não é um processo normal e nada disto é normal. Estamos a falar de jovens, não é só este, de pessoas que contactam e falam com os investigadores, porque são pessoas de quem se consideram amigos, porque se preocupam com eles".

"Porque lhes telefona e até lhes disse que, independentemente deste processo e depois dele terminar, continuará a ser amigo deles.

Estamos a falar de relações humanas, não estamos a falar de processos, não estamos a falar de abusos. Tirar qualquer outra ilação será mais uma leviandade num processo deste tipo", disse Miguel Matias.

O jovem que hoje depôs havia declarado na passada quinta-feira ter sido abusado sexualmente por quatro dos arguidos e também por três conhecidos políticos socialistas, que não estão a ser julgados.

Naquela sessão, a testemunha acusou igualmente de abuso sexual um antigo futebolista internacional e um ex-provedor da Casa Pia.

Os quatros dos sete arguidos incriminados pela testemunha foram o apresentador de televisão Carlos Cruz, o embaixador Jorge Ritto, o ex-provedor-adjunto da Casa Pia e o ex-funcionário casapiano Carlos Silvino ("Bibi").

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