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Jovem que está a depor não sabia quem era Carlos Cruz

Jovem que está a depor não sabia quem era Carlos Cruz

O jovem que está a depor em Tribunal no âmbito do processo Casa Pia admitiu hoje desconhecer quem era o arguido Carlos Cruz na altura em que supostamente foi violado por este numa casa em Elvas.

Agência LUSA /

Na 118ª sessão do julgamento, a decorrer no Tribunal de Monsanto, a testemunha/vítima que está a depor respondeu a perguntas de Ricardo Sá Fernandes, advogado do arguido Carlos Cruz, apresentador de televisão.

O jovem, actualmente com 19 anos, segundo fontes ligadas ao processo, disse que só relacionou a cara do homem que com ele teve contactos de natureza sexual com o nome de Carlos Cruz quando foi confrontado pela Polícia Judiciária com fotografias.

O jovem, adiantaram as fontes, apenas se lembrava de ter visto Carlos Cruz a fazer um anúncio para uma companhia de seguros e garantiu nunca ter visto qualquer programa com o apresentador de televisão (só se terá lembrado de um programa com António Sala), justificando que em 1999 apenas via os canais Panda e MTV.

Da mesma forma, o mesmo jovem também não terá reconhecido Manuel Abrantes (arguido e antigo provedor-adjunto da Casa Pia), quando supostamente foi violado por este numa casa na Buraca, disseram as fontes.

A testemunha, que está a depor desde terça-feira da semana passada, continua a ser ouvida na próxima semana, já que a sessão de hoje terminou mais cedo, por impedimento do tribunal em continuar a sessão durante a tarde.

O jovem acusa os arguidos Carlos Silvino ("Bibi"), Manuel Abrantes, Carlos Cruz, Ferreira Diniz, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes de crimes que vão do incentivo à prostituição (lenocínio) ao abuso sexual.

É a primeira testemunha pela qual o apresentador de televisão Carlos Cruz responde por um crime de abuso sexual, enquanto Carlos Silvino responde por mais de 300 crimes.

A testemunha diz que foi abusada numa casa na Buraca, Amadora, e na de Elvas, pertença da arguida Gertrudes Nunes.

O jovem nasceu em Setembro de 1986 e entrou para a Casa Pia, lar Francisco Soares, do Colégio de Santa Clara, em 1997.

Em fase de inquérito começou por negar ter sido alvo de abusos sexuais ou ter feito parte de um "esquema" de angariação de alunos para práticas sexuais com adultos, confessando depois ter sido violado pelos arguidos Carlos Silvino, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes e Carlos Cruz, segundo o despacho de pronúncia do juiz que enviou o processo Casa Pia para julgamento.

De acordo com a pronúncia, Carlos Silvino terá mantido relações sexuais com o aluno, no início com 11 anos, entre 1998 e 2001, a maior parte das vezes num barracão onde então o arguido vivia.

Actualmente em Monsanto, o julgamento deverá voltar ao Tribunal Militar de Santa Clara em Janeiro, altura em que a juíza que preside ao colectivo, Ana Peres, quer sessões cinco dias por semana (actualmente são quatro, excluindo-se a terça-feira), algo com que os advogados discordam.

Perante a oposição dos advogados e de forma informal, Ana Peres sugeriu já que se faça uma semana completa de experiência, ficando uma posição definitiva para mais tarde, disseram fontes ligadas ao processo.

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