Jovens reúnem-se para partilhar experiências e testemunhos

Jovens reúnem-se para partilhar experiências e testemunhos

Uma centena de jovens afectados pela doença bipolar participa hoje em Lisboa num encontro nacional destinado a partilhar experiências e testemunhos sobre esta patologia que afecta entre um a dois por cento da população mundial.

Agência LUSA /

O II encontro de jovens bipolares (maníaco-depressivos) é organizado pela Associação de Apoio ao Doentes Depressivos e Bipolares (ADEB) e pretende, segundo o seu presidente, "consciencializar os jovens e ajudá-los a reconhecer a patologia e a fazer um tratamento adequado".

O distúrbio bipolar, também conhecido como doença maníaco- depressiva, é uma doença mental complexa que se caracteriza por drásticas alterações de humor em que episódios de euforia anormal alternam com períodos de profunda depressão ou normalidade.

"As pessoas ficam sempre surpreendidas quando lhes é diagnosticada qualquer doença, mas quando se trata de uma doença psiquiátrica tendem mais a auto-estigmatizar-se e a sofrer o estigma da sociedade", considerou o presidente da ADEB, Delfim Oliveira.

Por isso, o encontro promovido pela ADEB serve também para "os jovens não se sentirem sozinhos e conhecerem outras pessoas com o mesmo distúrbio. Ajuda-os a perceber que a doença não é incapacitante".

A ADEB tem mais de 2000 associados, dos quais 300 com idades compreendidas entre os 15 e os 30 anos, e conta já com cerca de uma centena de inscritos para o encontro de sábado.

O distúrbio afecta entre 1 a 2 por cento por cento da população mundial e é geralmente diagnosticado na fase de jovens adultos.

Segundo uma associação norte-americana de psiquiatria, mais de um milhão de crianças e adolescentes americanos diagnosticados com depressão podem efectivamente sofrer de doença bipolar.

Estima-se que 25 a 50 por cento das pessoas com distúrbio bipolar tentam o suicídio pelo menos uma vez e que entre 10 a 20 por cento são bem sucedidos.

A doença é geralmente difícil de diagnosticar e tratar calculando-se que, em média, as pessoas tenham os sintomas durante mais de dez anos antes do correcto diagnóstico da doença.

Muitos doentes são mal diagnosticados e ficam sujeitos a tratamentos inadequados que resultam no agravamento dos sintomas e das alterações de humor.

Algumas publicações internacionais sugerem que cerca de 45 por cento dos adultos que sofrem da doença acreditam ter sentido os primeiros sintomas da patologia durante a sua infância ou adolescência.

O distúrbio não tem cura, mas quando correctamente diagnosticadas as pessoas podem levar uma vida normal, desde que com terapias adequadas e apoio social.

No encontro de sábado, os jovens vão poder assistir a excertos de dois filmes - "O Clube dos Poetas Mortos" e "Mentes Perigosas" - seguindo-se um debate.

Vão ser feitas apresentações sobre o tema, sobre razões e causas do (in)sucesso académico, importância do diagnóstico e terapia e dinâmica familiar, e está também previsto um recital de poesia.

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