Judiciária faz buscas na Fundação O Século

Judiciária faz buscas na Fundação O Século

Inspetores da Polícia Judiciária e procuradores do Ministério Público efetuaram esta quinta-feira buscas nas instalações da Fundação O Século, dedicada ao apoio a crianças. As diligências tiveram por base suspeitas de peculato e abuso de poder por parte de dirigentes.

RTP /
Os dirigentes em causa são o presidente e o vice-presidente da instituição YouTube

As suspeitas incidem sobre o presidente e o vice-presidente da Fundação O Século e as buscas concentraram-se entre as 11h00 e as 15h00 na sede da instituição, em São Pedro do Estoril.
O presidente e o vice-presidente da Fundação O Século, Emanuel Martins e João Ferreirinho, deverão ser constituídos arguidos neste processo, segundo apurou a RTP.
As autoridades investigam, segundo a edição online do jornal Correio da Manhã, a alegada utilização de cartões de crédito da instituição particular de solidariedade social (IPSS) para gastos pessoais, assim com a presumível contratação abusiva de familiares de dirigentes.

Ouvido pela RTP, o presidente da Fundação O Século, Emanuel Martins, adiantou que os investigadores levaram um conjunto de documentos que inclui contratos de trabalho de funcionários e contratos celebrados com empresas.

O caso foi desencadeado por uma denúncia à Segurança Social, que remeteu as suspeitas para os órgãos judiciais. Emanuel Martins nega que estejam em causa suspeitas de desvio de dinheiro e diz encarar as diligências “com normalidade”.

“O processo está em investigação, vão investigar e espero que não haja arguidos. Estou convicto, sinceramente, de que não há razão para haver arguidos. Eu já ouvi esta denúncia há quase um ano, que me chegou por uma carta anónima, depois chegou-me através de um portal. Tenho-lhe dado a importância que tem”, afirmou o responsável.

Emanuel Martins quis ainda negar que os cartões de crédito da IPSS tenham sido usados para despesas de cariz particular: “Têm que existir, porque temos necessidades urgentes, mas estão regulados e têm sido utilizados de acordo com a regulação que eles têm e não para uso pessoal”.

Instituída em 1998, a Fundação O Século deu sequência ao trabalho desenvolvido pela Colónia Balnear Infantil O Século, nascida em 1927 pela mão do então diretor do jornal com o mesmo título, João Pereira da Rosa.
“Apreensão de documentação”
Em nota publicada no portal da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa pode ler-se que, “foi dado cumprimento pela Polícia Judiciária a mandados de busca e apreensão nas instalações da Fundação O Século, emitidos pelo Magistrado do Ministério Público da comarca de Lisboa Oeste, no âmbito de processo de Inquérito, no qual se investigam, nomeadamente, a prática de condutas ocorridas entre 2012 até à presente data, susceptíveis de integrar a prática dos crimes de peculato e de abuso de poder”.

“No âmbito destas diligências ocorreu a apreensão de documentação contabilística/financeira e de actas relevantes para o objecto da investigação”, acrescenta-se no texto.

“O processo prossegue na 3ª Secção do DIAP de Sintra da Comarca de Lisboa Oeste coadjuvado pela da PJ/Unidade Nacional de Combate Corrupção”, conclui a nota.
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