País
Lesados do Banif acorrentam-se em protesto diante do Santander
Representantes da associação de lesados pelo Banif montaram na manhã desta segunda-feira uma ação de protesto na Avenida Calouste Gulbenkian, diante do edifício do Santander Totta, em Lisboa. Parte do grupo acorrentou-se.
Pelas 7h30, os elementos da associação que representa os lesados (Alboa) colavam já cartazes à vista de quem se dirigia à Praça de Espanha, nos quais se podia ler palavras de ordem como “Retirem o vosso dinheiro, o Santanter Totta é espanhol”, ou “A resolução do Banif é igual à segunda invasão espanhola”.
A equipa de reportagem da RTP no local testemunhou os primeiros instantes desta ação de protesto.
Uma faixa erguida pelos manifestantes enunciava “Lesados Banif”, com as marcas Santander Totta e Banif riscadas.
“Nós somos os acorrentados e este protesto tem como tema os acorrentados. É uma manifestação da associação dos lesados, isto são os corpos sociais da associação, não são os lesados em si. Somos lesados, mas estamos nos corpos sociais”, explicou o presidente da Alboa, ouvido pela jornalista da RTP Ana Raquel Leitão.
O protesto, continuou Jacinto Silva, visou contestar “a forma intimidatória” como o Santander Totta notificou, na semana passada, a associação de lesados para que esta não utilizasse a marca do banco nos seus suportes de comunicação.
“Queremos mostrar ao Santander que, além de lesados do Banif, somos lesados do Santander. E somos lesados do Santander porquê? Na resolução, o banco comprou a franquia comercial do Banif e transferiu unilateralmente, sem autorização, os clientes do Banif para o Santander. Com essa transferência alterou as situações de crédito, algumas delas feitas com créditos concedidos pelo Banif para os próprios funcionários e alguns subscritores comprarem os produtos que o Banif vendeu. Essa carteira está no Santander atualmente e o Santander cobra comissões de gestão”, enumerou.
“Desapropriado e ameaçador”
Governo e Banco de Portugal anunciaram a 20 de dezembro de 2015 a resolução do Banco Internacional do Funchal, a par da alienação de parte da atividade ao Santander Totta por 150 milhões de euros e da transferência de ativos – entre os quais os denominados tóxicos - para a sociedade-veículo Oitante.A manifestação desta segunda-feira foi vigiada por elementos da PSP.
O Santander Totta exigiu na semana passada que a Alboa removesse dos respetivos suportes de comunicação, num prazo de três dias, todas as referências à marca do banco. Numa carta de resposta, remetida ao escritório de advogados do Santander Totta, a associação adiantou ter reformulado os suportes e avaliou o tom empregue pelo banco como “desapropriado e ameaçador”.
Os antigos clientes do Banif denunciam, designadamente, a transição “unilateral” das “suas situações financeiras” para o Santander Totta “com alteração das cláusulas contratuais das contas”.
“O Banco Santander Totta manifestou interesse no Banif, pelo menos desde julho de 2015, e aceitou o negócio em dezembro seguinte, prescindindo da Due Diligence. Correram o risco para ganhar dinheiro. Um desses riscos seria sempre a animosidade e a insatisfação dos Antigos Clientes do Banif”, escreve a Alboa na carta de resposta, cujo conteúdo é citado pela agência Lusa.
“Uma referência numérica”
Os clientes, prossegue a associação, “não foram tidos nem achados para a eventual autorização de transferência das citadas contas” e consequentemente não viram garantidos direitos: “Daí não ser de estranhar se considerarem também lesados do Santander Totta”.
A Alboa assinala ainda que “hoje o Santander Totta exclui a responsabilidade futura sobre os produtos emitidos pelo Banif”, mas “continua a exigir a liquidação dos empréstimos contraídos para a aquisição dos mesmos e a cobrar comissões que anteriormente não eram aplicadas”.
“O Santander Totta tem que definir claramente se os clientes [ex-Banif] têm mais valor e importância do que serem só uma referência numérica, abstrata, e rever o seu posicionamento com a Alboa, os clientes, as regiões autónomas dos Açores e da Madeira e comunidades lusófonas que estão agora a sentir o peso da sua arrogância”, conclui a estrutura.
Os manifestantes que se concentraram em frente da nova sede do Santander Totta acabaram por desmobilizar cerca das 9h00. Um deles foi identificado pela Polícia de Segurança Pública.
c/ Lusa
A equipa de reportagem da RTP no local testemunhou os primeiros instantes desta ação de protesto.
Uma faixa erguida pelos manifestantes enunciava “Lesados Banif”, com as marcas Santander Totta e Banif riscadas.
“Nós somos os acorrentados e este protesto tem como tema os acorrentados. É uma manifestação da associação dos lesados, isto são os corpos sociais da associação, não são os lesados em si. Somos lesados, mas estamos nos corpos sociais”, explicou o presidente da Alboa, ouvido pela jornalista da RTP Ana Raquel Leitão.
O protesto, continuou Jacinto Silva, visou contestar “a forma intimidatória” como o Santander Totta notificou, na semana passada, a associação de lesados para que esta não utilizasse a marca do banco nos seus suportes de comunicação.
“Queremos mostrar ao Santander que, além de lesados do Banif, somos lesados do Santander. E somos lesados do Santander porquê? Na resolução, o banco comprou a franquia comercial do Banif e transferiu unilateralmente, sem autorização, os clientes do Banif para o Santander. Com essa transferência alterou as situações de crédito, algumas delas feitas com créditos concedidos pelo Banif para os próprios funcionários e alguns subscritores comprarem os produtos que o Banif vendeu. Essa carteira está no Santander atualmente e o Santander cobra comissões de gestão”, enumerou.
“Desapropriado e ameaçador”
Governo e Banco de Portugal anunciaram a 20 de dezembro de 2015 a resolução do Banco Internacional do Funchal, a par da alienação de parte da atividade ao Santander Totta por 150 milhões de euros e da transferência de ativos – entre os quais os denominados tóxicos - para a sociedade-veículo Oitante.A manifestação desta segunda-feira foi vigiada por elementos da PSP.
O Santander Totta exigiu na semana passada que a Alboa removesse dos respetivos suportes de comunicação, num prazo de três dias, todas as referências à marca do banco. Numa carta de resposta, remetida ao escritório de advogados do Santander Totta, a associação adiantou ter reformulado os suportes e avaliou o tom empregue pelo banco como “desapropriado e ameaçador”.
Os antigos clientes do Banif denunciam, designadamente, a transição “unilateral” das “suas situações financeiras” para o Santander Totta “com alteração das cláusulas contratuais das contas”.
“O Banco Santander Totta manifestou interesse no Banif, pelo menos desde julho de 2015, e aceitou o negócio em dezembro seguinte, prescindindo da Due Diligence. Correram o risco para ganhar dinheiro. Um desses riscos seria sempre a animosidade e a insatisfação dos Antigos Clientes do Banif”, escreve a Alboa na carta de resposta, cujo conteúdo é citado pela agência Lusa.
“Uma referência numérica”
Os clientes, prossegue a associação, “não foram tidos nem achados para a eventual autorização de transferência das citadas contas” e consequentemente não viram garantidos direitos: “Daí não ser de estranhar se considerarem também lesados do Santander Totta”.
A Alboa assinala ainda que “hoje o Santander Totta exclui a responsabilidade futura sobre os produtos emitidos pelo Banif”, mas “continua a exigir a liquidação dos empréstimos contraídos para a aquisição dos mesmos e a cobrar comissões que anteriormente não eram aplicadas”.
“O Santander Totta tem que definir claramente se os clientes [ex-Banif] têm mais valor e importância do que serem só uma referência numérica, abstrata, e rever o seu posicionamento com a Alboa, os clientes, as regiões autónomas dos Açores e da Madeira e comunidades lusófonas que estão agora a sentir o peso da sua arrogância”, conclui a estrutura.
Os manifestantes que se concentraram em frente da nova sede do Santander Totta acabaram por desmobilizar cerca das 9h00. Um deles foi identificado pela Polícia de Segurança Pública.
c/ Lusa