Líder do PCP "enfurecido" com atrasos nos apoios às zonas afetadas pelas tempestades: "Tiram-me do sério"

Líder do PCP "enfurecido" com atrasos nos apoios às zonas afetadas pelas tempestades: "Tiram-me do sério"

No dia em que se juntou às jornadas parlamentares do PCP, em Leiria, o secretário-geral comunistas, Paulo Raimundo, não teve dúvidas em apontar o dedo ao Governo por "falhas" na resposta às populações e instituições afetadas pelas fortes tempestades que, no final de janeiro, atingiram a zona centro do país.

João Alexandre - RTP Antena 1 /
João Alexandre - RTP Antena 1

"O que me deixa verdadeiramente indignado é ouvir sucessivos anúncios, milhões para isto, milhões para aquilo, novos programas atrás de novos programas, quando quem faz esses anúncios sabe perfeitamente que eles não têm correspondência com a realidade", disse o líder comunista, numa visita ao Pavilhão Polidesportivo dos Marrazes, em Leiria.

Na visita, Paulo Raimundo observou os estragos provocados pelas tempestades e tomou nota dos lamentos de Paulo Clemente, presidente da União de Freguesias de Marrazes e Barosa, que deu conta da degradação dos equipamentos e da necessidade de realocar atividades desportivas noutras freguesias.

"Andamos a tapar uma coisa aqui, depois vamos tapar outra. Isto tem de ser repensado. Tínhamos um conjunto de projetos que tiveram de ser colocados de lado para resolver os estragos", afirmou o autarca, que aponta: "Estamos a tentar ter o pavilhão pronto em finais de setembro, inícios de outubro. Para ficar bem, estamos a falar de um investimento superior a meio milhão de euros".

Paulo Clemente alertou ainda para a dificuldade em encontrar empresas disponíveis para executar as obras e teme que muitos equipamentos públicos e privados continuem a degradar-se.

"Nesta região, daqui a um ano, há muita coisa que vai estar muito pior porque ninguém fez as obras, porque não conseguimos gente para as fazer e porque o Estado não nos dá os recursos necessários", disse.

Paulo Raimundo insiste na necessidade de respostas mais concretas por parte do Governo de Luís Montenegro e acusa o Executivo da AD de anunciar medidas e propostas que não chegam ao terreno.

"O que me espanta e o que me deixa enfurecido é haver alguém que consegue, sem pestanejar, abrir a boca, fazer anúncios, reanunciar os anúncios que fizeram antes, reconfirmar os anúncios que foram feitos no dia anterior, falar em milhões e milhões para isto e para aquilo e milhões, sabendo e tendo a consciência de que tudo aquilo que estão a dizer não tem nenhuma correspondência com a realidade", sublinhou.
"Estamos a falar de milhares de candidaturas por avaliar", avisa Paulo Raimundo
Depois da passagem pelos Marrazes, a comitiva deslocou-se ao Pavilhão da Embra, na Marinha Grande, onde os prejuízos são igualmente elevados e as tempestades derrubaram um dos mais históricos pavilhões da zona centro do país.

Miguel Bataglia Rodrigues, presidente do Sporting Clube Marinhense, aproveitou a presença da comitiva comunista para criticar a ausência de respostas às candidaturas apresentadas pelo clube.

"Já temos projetos preparados, apresentámos candidaturas de cerca de três milhões de euros. Fomos a primeira associação a comunicar os danos à CCDR e estamos em todas as plataformas. Até hoje não recebemos absolutamente nada, nem sequer uma resposta", relatou.

O dirigente associativo defendeu ainda que a recuperação dos equipamentos exige uma visão de longo prazo e não apenas intervenções de emergência.

"Não podemos pensar um investimento desta dimensão apenas para resolver o problema de hoje. É gastar dinheiro sem resolver verdadeiramente o problema. Em alguns casos, faz mais sentido construir de novo do que continuar a remendar", acrescentou Miguel Bataglia Rodrigues.

Perante os relatos dos autarcas e dirigentes locais, Paulo Raimundo voltou a criticar a atuação do Governo, acusando o Executivo de anunciar sucessivamente apoios que, diz, continuam sem chegar ao terreno.

"Infelizmente, aquilo que constatamos confirma exatamente aquilo que temos denunciado. Foi anunciado que os apoios chegariam rapidamente, que tudo seria desburocratizado e que os recursos seriam mobilizados. A realidade demonstra precisamente o contrário", afirmou.

Paulo Raimundo assinalou ainda que o PCP apresentou várias propostas na Assembleia da República para acelerar os apoios às populações, aumentar as verbas disponíveis e simplificar os processos de candidatura, mas lamentou que as iniciativas tenham sido rejeitadas.

"Tivemos um conjunto de propostas que permitiam mobilizar recursos imediatamente e fazer chegar os apoios às pessoas. Foram todas rejeitadas. Agora já nem estamos apenas a discutir essas propostas, estamos a falar de milhares de candidaturas que continuam por avaliar e de milhares de habitações que continuam por reparar", disse o líder do PCP.

O secretário-geral comunista não esqueceu ainda o tema da floresta, que considera urgente: "Todo este combustível representa um enorme risco para os próximos meses. É preciso uma intervenção musculada do Estado".

O PCP encerra as jornadas parlamentares realizadas nos distritos de Leiria e Coimbra com uma sessão sobre o pacote laboral, no concelho da Marinha Grande, um dos mais afetados pelas tempestades que atingiram a região no final de janeiro.
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