Linha da sexualidade atendeu 6.610 chamadas em 2004
A linha telefónica "sexualidade em linha" recebeu no ano passado 6.610 chamadas, a maioria das quais efectuadas por jovens do sexo feminino e na faixa etária dos 19 aos 21 anos, revelou hoje o secretário de Estado da Juventude.
Falando na abertura do Seminário "Os jovens e a sexualidade", a decorrer durante o dia de hoje na Gulbenkian, em Lisboa, Pedro Duarte revelou os dados mais recentes do Instituto Português da Juventude (IPJ) sobre a linha telefónica, o site da Internet e os gabinetes de atendimento sobre sexualidade.
Assim, relativamente à sexualidade em linha, criada em 1998 em parceria com a Associação para o Planeamento da Família (APF), em 2004 foram recebidas 6.610 chamadas, 4.799 feitas por raparigas e 1.811 por rapazes.
De acordo com o mesmo estudo, a faixa etária que mais recorreu a esta linha telefónica foi a situada entre os 19 e os 21 anos (1.461), logo seguida pela faixa dos 16 aos 18 anos (1.299).
Em 2002 foi criado um site sobre sexualidade juvenil, com informação útil e que permite aos jovens colocar dúvidas, explicou o secretário de Estado, acrescentando que em 2004 foram respondidas 1.896 questões.
Foi ainda criada uma rede de gabinetes gratuitos, anónimos e confidenciais, de apoio à sexualidade juvenil, com médicos, enfermeiros e técnicos de serviço social, que em 2004 atenderam 18.721 jovens entre os 10 e os 29 anos, 17.526 dos quais raparigas.
A faixa etária que mais recorreu a estes serviços foi a dos 20 aos 24 anos, com um total de 9.579 atendimentos.
Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado afirmou que são os jovens na faixa etária dos 18 aos 21 anos os que mais recorrem a estes serviços, "quando, com esta idade, já deviam ter passado a fase das dúvidas", acrescentou.
Segundo disse, estes dados demonstram a falta de informação e educação sobre sexualidade em Portugal. O governante defendeu ainda que é fundamental a existência de uma efectiva educação sexual nas escolas, de preferência a começar logo no ensino básico.
O secretário de Estado da Juventude defende um reforço da eficácia dos agentes envolvidos no sentido de educar os jovens para uma sexualidade informada e consciente, através de políticas que impliquem um desenvolvimento social e mental.
Isto porque, na opinião de Pedro Duarte, é necessário um "movimento cívico - mais do que estatal - que desperte consciências para esta problemática".
Reconhecendo que esta é uma questão que por vezes "choca com convicções religiosas, culturais ou pessoais", Pedro Duarte recordou que Portugal é um dos países da Europa com maior taxa de gravidez na adolescência e de HIV/Sida, além de outras doenças sexualmente transmissíveis.
"Temos educação sexual de menos e tarde demais. Temos que olhar para os números e verificar que independentemente de convicções pessoais há jovens a morrer. Isso deve-nos perturbar", afirmou.
Na opinião do secretário de Estado, um movimento cívico que mude mentalidades tem que passar essencialmente pela família e pelas escolas.
No que respeita às famílias - defende - estas devem ser envolvidas, nomeadamente através da criação de associações de pais mais intervenientes nas escolas.
Quanto aos estabelecimentos de ensino, Pedro Duarte defende a formação dos professores nesta vertente, e afirma: com consenso social, pode-se gerar entendimento nacional, para que os docentes na escola encarem o tema com naturalidade e sem preconceitos.
No entanto, reconhece que não é fácil encontrar consenso havendo conflitos sociais do tipo "pró-vida" e "pró-aborto".