País
Linha do Oeste esteve num "silêncio absoluto" que se "estranha muito"
Os comboios voltaram esta semana à Linha do Oeste, a norte das Caldas da Rainha. Foi um regresso parcial depois de quase 50 dias com a circulação totalmente suspensa - uma pausa forçada pelas tempestades que a Antena 1 acompanhou.
No final de janeiro, a tempestade Kristin parou esta linha e mudou a rotina de milhares de pessoas. Ficou exposta, de forma crua, a fragilidade de uma infraestrutura há muito marcada por atrasos, limitações técnicas e promessas adiadas. Entre deslizamentos de terras, queda de árvores e danos na via, a circulação ferroviária foi suspensa em vários troços, deixando populações inteiras sem o seu principal meio de transporte.
"Eu preciso às vezes de ir a Torres Vedras fazer exames", conta Maria José Ferreira, moradora na localidade rural da Feliteira.
Desde que ficou sem comboios, quando a tempestade Kristin se fez sentir a 28 de janeiro, a carteira de Maria José não mais se fechou entre pedidos de táxi: "É cinco euros para cada lado".
"Vivo sozinha, já ando meio 'trôpega', preciso de uma pessoa que me acompanhe... é um problema", desabafa.
A vizinha Maria Beatriz Oliveira confessa uma estranhez, pois estava já "habituada" à passagem do comboio neste pequeno núcleo de casas junto ao apeadeiro.
"Silêncio absoluto", aponta. Estranha-se? "Estranha-se muito".
A Antena 1 percorreu na última semana de fevereiro várias paragens atravessadas por esta linha: Mira Sintra - Meleças, Mafra, Feliteira, Torres Vedras, Ramalhal, São Martinho do Porto, Monte Redondo, Guia e Verride.
Depois de publicar um conjunto de reportagens nessa semana, o A1 Doc desta quinta-feira publica novos testemunhos dessa semana, juntando também mais entrevistas que ajudam a perceber o passado, o presente e o futuro da Linha do Oeste. A1 Doc | "Silêncio do Oeste", da autoria de Gonçalo Costa Martins e coordenação de Rita Colaço
Matias Sobreira começou a trabalhar na CP em 1983 e reformou-se no ano passado
"Isto era um paraíso", recorda. Matias diz que não se lembra de uma paragem como a que está a acontecer, apesar de, desde o dia 16 de março, haver autocarros de substituição entre Mira Sintra - Meleças e Caldas da Rainha. De fora deste trajeto ficaram quatro paragens: Dagorda-Peniche, São Mamede, Paúl e Feliteira (o que significa, neste último caso, que Maria José e Maria Beatriz, continuam com opções reduzidas de transporte).
João Cunha, responsável da revista Trainspotter, sobre comboios em Portugal, aponta que esta linha é pouco competitiva face ao autocarro. Embora veja alguns sinais positivos para o futuro - a eventual inclusão de Loures numa nova variante da Linha do Oeste ou a entrada para breve de novos comboios -, a linha "faz um bocadinho figura de corpo presente".
Já o porta-voz da Comissão para a Defesa da Linha do Oeste, Rui Raposo, considera que as obras de modernização em curso são "pouco ambiciosas".
"Eu preciso às vezes de ir a Torres Vedras fazer exames", conta Maria José Ferreira, moradora na localidade rural da Feliteira.
Desde que ficou sem comboios, quando a tempestade Kristin se fez sentir a 28 de janeiro, a carteira de Maria José não mais se fechou entre pedidos de táxi: "É cinco euros para cada lado".
"Vivo sozinha, já ando meio 'trôpega', preciso de uma pessoa que me acompanhe... é um problema", desabafa.
A vizinha Maria Beatriz Oliveira confessa uma estranhez, pois estava já "habituada" à passagem do comboio neste pequeno núcleo de casas junto ao apeadeiro.
"Silêncio absoluto", aponta. Estranha-se? "Estranha-se muito".
A Antena 1 percorreu na última semana de fevereiro várias paragens atravessadas por esta linha: Mira Sintra - Meleças, Mafra, Feliteira, Torres Vedras, Ramalhal, São Martinho do Porto, Monte Redondo, Guia e Verride.
Depois de publicar um conjunto de reportagens nessa semana, o A1 Doc desta quinta-feira publica novos testemunhos dessa semana, juntando também mais entrevistas que ajudam a perceber o passado, o presente e o futuro da Linha do Oeste. A1 Doc | "Silêncio do Oeste", da autoria de Gonçalo Costa Martins e coordenação de Rita Colaço
O silêncio que se vive agora na estação de Mafra foi quebrado por uma pequena retroscavadora durante alguns instantes. Matias Sobreira pensou que era um comboio - o ruído de facto era semelhante, mas, virando a cara, percebe que não era.
Foi durante cerca de 40 anos revisor na CP - Comboios de Portugal. Conhece bem a Linha do Oeste, habituado até a dormir "duas horitas dentro da carruagem a repousar" na estação das Caldas da Rainha. Lembra-se também de ser chamado de "pica".
Foi durante cerca de 40 anos revisor na CP - Comboios de Portugal. Conhece bem a Linha do Oeste, habituado até a dormir "duas horitas dentro da carruagem a repousar" na estação das Caldas da Rainha. Lembra-se também de ser chamado de "pica".
Matias Sobreira começou a trabalhar na CP em 1983 e reformou-se no ano passado
"Isto era um paraíso", recorda. Matias diz que não se lembra de uma paragem como a que está a acontecer, apesar de, desde o dia 16 de março, haver autocarros de substituição entre Mira Sintra - Meleças e Caldas da Rainha. De fora deste trajeto ficaram quatro paragens: Dagorda-Peniche, São Mamede, Paúl e Feliteira (o que significa, neste último caso, que Maria José e Maria Beatriz, continuam com opções reduzidas de transporte).
João Cunha, responsável da revista Trainspotter, sobre comboios em Portugal, aponta que esta linha é pouco competitiva face ao autocarro. Embora veja alguns sinais positivos para o futuro - a eventual inclusão de Loures numa nova variante da Linha do Oeste ou a entrada para breve de novos comboios -, a linha "faz um bocadinho figura de corpo presente".
Já o porta-voz da Comissão para a Defesa da Linha do Oeste, Rui Raposo, considera que as obras de modernização em curso são "pouco ambiciosas".