Louçã, Sócrates, o debate do "calvinismo" e o cigarro de que ninguém falou
Lisboa, 21 Mai (Lusa) -- O deputado bloquista Francisco Louçã e o primeiro-ministro envolveram-se hoje num debate aceso sobre calvinismo, tendo como fundo o episódio do cigarro fumado por Sócrates no voo para a Venezuela.
Foi depois de Louçã criticar a falta de intervenção do Governo na questão do preço dos combustíveis e dos lucros das petrolíferas, que iriam aumentar este ano: a BP 30 por cento, a Exxon 25 por cento.
José Sócrates falou em demagogia e usou de ironia: "O país já se habituou a ter uma Autoridade da Concorrência. Agora tem outra: a autoridade Francisco Louçã", que apelidou de "calvinista."
"Lá vêm eles, de forma calvinista, julgar os marotos que afinal ganham muito", disse Sócrates, que questionou a ideia de o Governo poder ser considerado "culpado" tanto da alta de juros como do preço do petróleo.
"É tão pueril, não está à altura do professor de economia" que é Francisco Louçã, concluiu.
Na resposta, Francisco Louçã disse que não respondia por querer levar o debate para "o plano pessoal": Fique com as suas brincadeiras. Eu não lhe respondo."
"Mas já agora assinalo que quem introduziu o calvinismo na vida política foi um primeiro-ministro que achou que devia fazer exibição política dos seus vícios e não vícios", assinalou.
Francisco Louçã, que nunca falou no caso do cigarro de Sócrates no voo para a Venezuela, deu um conselho a Sócrates: "Use os seus vícios como quiser, como eu uso os meus. Isso não tem nada a ver com a política. Calvinismo é aquilo que o senhor fez."
Durante a visita à Venezuela, José Sócrates criticou os comportamentos de "calvinismo moral radical" de figuras que o atacaram por ter fumado no voo da TAP entre Lisboa e Caracas, a 11 de Maio.
"Há políticos que me estão a atacar pessoalmente e que recorrem a tudo. Houve gente até que me recomendava ser internado para tratar do meu problema de tabagismo", declarou José Sócrates no último dia de visita à Venezuela.
Para o primeiro-ministro, Portugal não é adepto de "comportamentos de calvinismo moral radical" e de "uma espécie de vigilantes políticos, que para atacarem outro político recorrem a tudo".
NS/PMF.
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