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Luís Filipe Menezes é o novo líder social-democrata

Luís Filipe Menezes é o novo líder social-democrata

Luís Filipe Menezes chegou à liderança do PSD, sucedendo a Marques Mendes, dois anos e meio depois de ter perdido o congresso de Pombal, precisamente para o candidato vencido nas segundas eleições directas do partido.

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Militantes social-democratas elegeram novo líder Lusa

Na declaração de vitória, feita meia hora depois do seu adversário ter reconhecido a derrota, Luís Filipe Menezes reiterou o apelo de "união" do partido que já tinha deixado durante a campanha interna, garantindo que "todos têm lugar neste PSD".

"Ninguém será excluído, todos têm lugar neste PSD", assegurou.

Antes, num hotel na capital a poucos quilómetros de distância do local onde estava reunido o `staff` do novo líder do PSD, Marques Mendes tinha desejado "muitas felicidades" a Luís Filipe Menezes.

De voz embargada, Marques Mendes deixou os seus "votos" para o PSD, a sua "palavra final": "que o PSD possa alcançar o sucesso que sempre ambicionei para o partido", disse.

Quando faltavam apurar os resultados de 21 secções, a maioria das quais da emigração, Luís Filipe Menezes tinha já alcançado 20.701 votos, contra 16.334 de Marques Mendes.

A campanha ficou marcada por acusações de irregularidades processuais, que envolveram alegados pagamentos em massa, o alargamento de prazo para o pagamento de quotas para os militantes dos Açores e, no dia das eleições, a anulação da votação na Figueira da Foz, devido à utilização de dois cadernos eleitorais.

Na madrugada em que foi conhecido o novo líder do PSD, nenhum dos candidatos tocou nestas questões, e Luís Filipe Menezes não esclareceu se irá ou não manter-se como presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Para as 13:00 está já agendada uma conferência de imprensa com alguns dos principais apoiantes de Luís Filipe Menezes: o seu mandatário nacional, Ângelo Correia, o porta-voz da sua candidatura, Ribau Esteves, o embaixador Martins da Cruz, e os ex-ministros Rui Gomes da Silva e Arlindo Carvalho.

O XXX Congresso do PSD, onde serão eleitos os restantes órgãos nacionais do partido, está marcada para os dias 12, 13 e 14 de Outubro.

Perfil do novo líder do PSD

À segunda disputa com Marques Mendes, a primeira em eleições directas por todos os militantes, Luís Filipe Menezes conquistou a presidência do PSD e tem agora dois anos para mostrar como quer chegar a primeiro-ministro em 2009.

A corrida para a liderança social-democrata começou há dois anos, em Pombal, num Congresso onde disputou e perdeu a liderança para Marques Mendes, no rescaldo das eleições legislativas que ditaram o afastamento do PSD do Governo e a primeira maioria absoluta socialista.

No entanto, os 43,4 por cento conseguidos em 2005 deram a Menezes fôlego para se manter desde então na primeira linha da crítica à liderança de Marques Mendes.

Defensor das directas, foi também no Congresso de Pombal que Menezes viu o seu adversário aceitar consagrar este método de eleição do líder nos estatutos do partido, que considerava essencial para que as bases pudessem participar na escolha do presidente do PSD.

E foi através da eleição por todos os militantes - votaram mais de 38.000 militantes social-democratas - que Luís Filipe Menezes conseguiu sexta-feira derrotar Marques Mendes, numa campanha que ficou marcada pelas trocas de acusações sobre irregularidades processuais.

Na recta final, Menezes acabou a chamar "pequeno tirano" ao seu antigo amigo pessoal e companheiro de Governo sob a liderança de Cavaco Silva.

Por esclarecer ficou a dúvida se Menezes irá acumular a liderança do PSD com a presidência da Câmara Municipal de Gaia, cargo que ocupa desde 1998, e que acentuou a sua rivalidade com o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, nascida nos tempos da JSD.

Luís Filipe Menezes Lopes nasceu em Ovar, Porto, a 2 de Novembro de 1953 - tem 53 anos - e é filho de um comerciante de têxteis e de uma professora de liceu.

Licenciou-se em medicina com 16 valores, e filia-se no PSD, então PPD, em Setembro de 1975, assumindo a presidência da concelhia do Porto.

Membro do Conselho Nacional laranja em 1978, Menezes esteve como adjunto do ministro da Educação no governo do Bloco Central (PS/PSD) e em 1984 chefiou o gabinete do secretário de Estado do Ensino Superior.

Só em 1987, quando Cavaco Silva conquistou a primeira maioria absoluta, é que foi eleito deputado.

No final dos anos 80 esteve também na vice-presidência do grupo parlamentar do PSD (1988), e em Fevereiro de 1990 chega a vice-presidente do PSD/Porto.

Integrou o segundo Governo de Cavaco como secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, quando Marques Mendes era ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

O seu percurso político ficou marcado com o congresso do PSD em 1991, quando abandonou o Coliseu de Lisboa em lágrimas depois de ter subido à tribuna para defender a candidatura de Fernando Nogueira contra a ala de Durão Barroso, que apelidou de "sulista, elitista e liberal".

Chegou a ser futebolista profissional nos juniores do F.C. do Porto, entre os finais dos anos 60 e o início dos anos 70, e também atleta federado em ténis, tendo sido campeão regional do Porto e Aveiro.

Além de gostar da política e de escrever livros, já confessou que "gostava de ter uma reforma de 20 anos, a percorrer as florestas da Birmânia e a fazer raides no deserto".

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