Madeleine McCann desapareceu há meio ano

Madeleine McCann desapareceu há meio ano

Seis meses depois do desaparecimento de Madeleine McCann de um aldeamento turístico da Praia da Luz, no Algarve, mantém-se o mistério sobre o que terá acontecido à menina inglesa.

João Pedro Correia © 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /
O desaparecimento de crianças tornou-se num tema muito mais mediático DR

A Polícia Judiciária (PJ), que inicialmente admitiu o rapto, sustenta agora a tese de que a criança possa ter morrido, com base em vestígios biológicos encontrados três meses depois, recaindo suspeitas sobre os pais, Gerry e Kate McCann, ambos médicos.

A menina inglesa, de quatro anos, desapareceu a 03 de Maio, do quarto onde dormia com os seus dois irmãos gémeos, enquanto os pais jantavam com um grupo de amigos num restaurante próximo, no aldeamento turístico Ocean Club.

Horas após o seu desaparecimento, foram mobilizadas mais de 300 pessoas, entre populares, inspectores da PJ, Polícia Marítima, Cruz Vermelha, bombeiros, GNR e PSP, assim como um helicóptero da Protecção Civil, barcos e navios da Marinha para ajudarem às buscas.

A campanha para encontrar Madeleine desencadeada pelo casal McCann, que chegou a envolver o Papa Bento XVI, gerou uma onda de solidariedade, com uma mobilização nunca antes vista na história de crianças desaparecidas, fazendo as manchetes de jornais e aberturas de telejornais de todo o mundo.

Três dias depois, o director da PJ de Faro, Guilhermino Encarnação, anunciou que tinham sido reunidos elementos que "asseguram o rapto" e que na origem do crime poderiam estar "o resgate e/ou motivos sexuais".

Ao fim de vários dias a ouvir testemunhos e de diligências no terreno, a PJ constituiu arguido um cidadão inglês, de 33 anos, por suspeitar da sua implicação no caso, mas não encontrou provas para o deter.

Robert Murat, empresário no ramo imobiliário, chegou a servir de intérprete entre a família e as autoridades nos dias a seguir ao desaparecimento e reside numa casa a cerca de 100 metros do apartamento do complexo turístico Ocean Club, na Praia da Luz.

Ao fim de três meses de investigações, onde foram seguidas centenas de pistas que, segundo a Polícia, se "revelaram falsas", a PJ mudou o rumo da investigação, apontando a tese da morte da criança, com base em vestígios biológicos recolhidos no apartamento e no carro alugado pelo casal McCann, 25 dias depois do desaparecimento da sua filha.

Os novos indícios, recolhidos com a ajuda de dois cães da Polícia inglesa, "peritos" em detectar sangue e odor a cadáver, foram enviados para o laboratório forense britânico, em Birmingham, para serem analisados.

Em Setembro, ao receber os resultados das primeiras análises forenses, a Polícia Judiciária passou a centrar as suspeitas no casal McCann - por ocultação do cadáver -, apontando a morte como "a causa provável para o desaparecimento da menina".

Depois de terem sido sujeitos a várias horas de interrogatório no Departamento de Investigação Criminal (DIC) da PJ de Portimão, Gerry e Kate McCann, que sempre disseram "querer manter-se em Portugal até ao completo esclarecimento do caso", decidem voltar a casa, em Leicester (Inglaterra), a 09 de Setembro, alegando a sua inocência e acusando a Polícia portuguesa de "plantar provas para os incriminar".

O silêncio a que se remeteu a Polícia Judiciária após ter implicado o casal no desaparecimento da sua filha gerou um rol de críticas aos investigadores portugueses "sobre a consistência das provas".

Em Outubro, na sequência da troca de acusações, o até então titular do processo e coordenador da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral, em declarações ao Diário de Notícias, criticou a Polícia britânica, por "andar a fazer o que o casal queria", tendo sido demitido e afastado do caso.

A equipa de investigação é agora liderada por Paulo Rebelo e inclui inspectores especialistas em homicídios e crimes sexuais.

Seis meses depois do desaparecimento de Madeleine McCann, a Polícia Judiciária assegura que continua à espera "da totalidade dos resultados das análises" efectuadas no laboratório forense de Birmingham.


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