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MAI garante que Portugal é um país seguro e com "fronteiras reguladas"

MAI garante que Portugal é um país seguro e com "fronteiras reguladas"

Durante o debate desta quarta-feira sobre políticas de imigração, proposto pelo Chega, o ministro da Administração Interna garantiu que Portugal é um país seguro e com controlo das fronteiras. A afirmação surgiu em resposta ao Chega, que declarou que em Portugal não há "qualquer tipo de controlo efetivo" de imigrantes.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
António Cotrim - Lusa

Numa intervenção no início do plenário, que foi proposto pelo Chega na sequência do ataque no Centro Ismaili, em Lisboa, que provocou duas mortes, o ministro da Administração Interna garantiu que Portugal é um “país acolhedor, mas com fronteiras reguladas e seguras”.

“Alguém quis estabelecer uma conexão entre migrações e segurança. Essa conexão não existe, assenta em pressupostos falsos e promove o alarme social”, afirmou José Luís Carneiro.
O ministro respondia, assim, ao deputado do Chega Rui Paulo Sousa, que afirmou que não há "qualquer tipo de controlo efetivo" de imigrantes.

"Neste momento entram mensalmente no nosso país milhares de imigrantes atraídos por falsas promessas de trabalho e de boas condições de vida sem qualquer tipo de controlo efetivo" e "muitos deles vindos de zonas de conflito" onde podiam ser "vítimas ou agressores", afirmou o deputado na abertura do debate parlamentar requerido pelo Chega sobre "imigração e segurança".

“Portugal é um dos países mais pacíficos do mundo e as nossas forças de segurança têm demonstrado elevada capacidade operacional”, defendeu o ministro da Administração Interna. Segundo José Luís Carneiro, em 2013 houve 368.452 participações de crimes e em 2022 343.845. Ou seja, menos 24.607 crimes.

“Portanto, se o deputado André Ventura afirmou em 2013 que Portugal era seguro, tendo na altura mais 7% de crimes gerais e mais 52% de crimes graves e violentos participados, não vemos como é que hoje pode dizer o seu contrário”, declarou.

Sobre o ataque ao centro Ismaili da semana passada, o ministro defendeu que “nada se apurou, nada se detetou que justificasse medidas de segurança acrescidas”.

“Isto é a bandalheira total e absoluta”
Por sua vez, André Ventura acusou o ministro de “conversa fiada” e disse que, na altura em que fez as primeiras declarações sobre o ataque ao centro ismaelita, José Luís Carneiro “não fazia ideia de quem era” o suspeito.

“Isto é a bandalheira total e absoluta”, disse Ventura, que afirmou que o governo “tem muita responsabilidade no sangue” das duas vítimas.
Em resposta a André Ventura, o ministro da Administração Interna disse que “ser corajoso não é falar alto, nem é ter agressividade nas palavras. Ser corajoso é ser temperado nas palavras, nos atos e ter coragem de afirmar as convicções e valores que se defenderam noutros tempos”.

José Luís Carneiro deixou ainda um conselho ao partido de André Ventura: “Aconselho os senhores e senhoras deputadas do Chega a lerem mais Eça de Queirós e menos Steve Bannon. Com isso vão qualificar o discurso e elevar o vosso humanismo”.

A Polícia Judiciária prossegue a investigação sobre o ataque no centro ismaelita. A PJ já descartou a hipótese de terrorismo e de motivações religiosas.
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