Última Hora
Ministro da Educação anuncia que 99,3% dos exames corrigidos e apela ao apoio de mais professores classificadores

Maioria das universidades já adotou IA, mas capacidade institucional continua atrasada diz Relatório

Maioria das universidades já adotou IA, mas capacidade institucional continua atrasada diz Relatório

A maioria das universidades já está a adotar ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, sobretudo no ensino, mas muitas continuam sem regras claras sobre a sua utilização, segundo os resultados de um diagnóstico divulgados hoje.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Dado Ruvic - Reuters

A conclusão resulta do diagnóstico nacional realizado pelo Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES), apresentado hoje, em Tomar, num evento dedicado à "Liderança Estratégica para a Inteligência Artificial na Educação Superior".

Com base nas respostas de 68 instituições a um inquérito e na análise de estudos e de estratégias e diretrizes de organizações internacionais, governos e instituições de ensino superior, o grupo de trabalho concluiu que a adoção de IA avançou mais depressa do que a capacidade institucional de definir regras claras, consistentes e comparáveis.

"O sistema está a avançar mais depressa do que a governação que o deveria enquadrar", refere o relatório, que sublinha que na generalidade das universidades e politécnicos não estão ainda institucionalizadas rotinas de auditoria, validação e responsabilização.

Segundo os resultados do inquérito, 52,9% das instituições de ensino superior já adotaram a IA no ensino e 42,6% utiliza essas ferramentas na investigação, mas a gestão surge como o domínio menos adiantado, com apenas 26,5% das instituições a relatar ter adotado IA nessa área.

Além das divergências entre instituições, o CNIPES identificou ainda diferenças dentro da mesma unidade orgânica.

Em alguns casos, a formação dos docentes é mais robusta em comparação com a aposta na formação dos estudantes e a IA é integrada em disciplinas, cursos ou projetos específicos, ao invés de programas estruturais e longitudinais.

Quanto à governação, o órgão consultivo do Ministério da Educação, Ciência e Inovação alerta para a necessidade de mediação humana, sublinhando que os modelos generativos não são infalíveis e "sem verificação, cresce o risco de erro académico e institucional".

Por isso, os investigadores sublinham que o potencial da IA enquanto apoio legítimo não pode ser confundido com "substituição silenciosa ou julgamento humano" e sugerem a necessidade de declarar quando e como a IA contribuiu para um trabalho, académico ou administrativo, estando prevista "interpretação humana explícita e responsabilização clara".

"Estamos a falar de uma área que está em mudança muito rápida e isto coloca dificuldades às instituições, mas o cenário que nós vemos no diagnóstico não é exclusivo de Portugal", explicou à Lusa Sandra Soares, que integra a equipa do CNIPES dedicada ao digital e à IA.

Sandra Soares, que faz também parte do grupo de trabalho "Digital e IA na Educação", criado pelo Governo, admite que propor regras fixas "é complexo" num contexto de evolução constante, mas as instituições poderão criar orientações relativamente aos limites de uso, ao uso ético e responsável e à literacia em IA.

"É algo que deveria estar incluído no contexto das estratégias das instituições: a revisão não só dos métodos pedagógicos e da avaliação, mas também dos planos de estudo e do currículo para que todos tenham acesso a esta informação e saibam os riscos", refere.

Reconhecendo que a evidência científica sobre a adoção da IA no ensino superior ainda é parca, o CNIPES propõe a criação de uma plataforma que apoie os centros de excelência de inovação pedagógica da IA no ensino superior e na partilha de práticas, recursos e evidência útil à inovação do ensino e da aprendizagem.

Esta estrutura mapearia as práticas pedagógicas, necessidades e evidência emergente com o objetivo de ajudar a passar "da adoção fragmentada para uma resposta mais coerente, comparável".

No evento de apresentação das conclusões do diagnóstico, que está a decorrer em Tomar, o CNIPES vai ouvir reitores das universidades e presidentes dos politécnicos, cujos contributos também serão considerados nas recomendações que o grupo de trabalho vai entregar ao Governo até ao final de junho.

 

Tópicos
PUB