Mais de 280 ninhos de vespa asiática detetados desde 2012 em Portugal
Viana do Castelo, 08 jan (Lusa) - Mais de 280 ninhos de vespa asiática, uma espécie predadora de abelhas, foram detetados desde 2012 em Portugal, mas a praga estará contida na região de Entre Douro e Minho, indica a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).
De acordo com dados da DGAV, obtidos na sequência da implementação de um plano de ação específico para tratar a presença desta espécie invasora, foi detetada e validada, em 2012, a existência de 30 ninhos de vespa velutina - também conhecida como asiática pela sua origem -, em vários concelhos do distrito de Viana do Castelo.
Esse número subiu para 252 ninhos no ano de 2013, sobretudo na região do Alto Minho, já que apenas 27 casos referem-se a situações detetadas em concelhos dos distritos de Braga e do Porto.
"Dos ninhos detetados foram comprovadamente destruídos 28 no ano de 2012 e 177 em 2013", esclareceu à agência Lusa fonte da DGAV, sublinhando que o concelho de Viana do Castelo é o "mais afetado" pela presença desta espécie.
"Nesse município foram detetados e destruídos 22 ninhos no ano de 2012 e 149 em 2013", explicou ainda a DGAV.
Aquele organismo do Ministério da Agricultura reforça tratar-se de uma espécie invasora que, como outras vespas, "constitui uma das pragas da colmeia", não sendo "uma ameaça sanitária" - por não ser fonte de transmissão de doença às abelhas -, ou representando perigo imediato para humanos.
A vespa asiática é maior e mais agressiva do que a espécie autóctone nacional e foi introduzida na Europa através do porto de Bordéus, em França, em 2004.
Os primeiros indícios da sua presença em Portugal surgiram em 2011, mas a situação só se agravou a partir no final do seguinte e depois de se instalar também no norte de Espanha.
Além do problema da biodiversidade, ao "prejudicar a alimentação" de outras espécies, trata-se, segundo os apicultores, de uma vespa "mais agressiva" que faz com que as abelhas não saiam para procurar alimento, por estarem sob ataque, enfraquecendo as colmeias, que acabam por morrer.
A destruição dos ninhos de vespa asiática, normalmente através de fogo, é assegurada pelos Serviços Municipais de Proteção Civil, envolvendo a própria DGAV, associações de apicultores e bombeiros.
A presença em Portugal estará nesta altura "circunscrita à região de Entre Douro e Minho", apesar de a DGAV também admitir "relatos" de vespa velutina nos distritos de Vila Real e Bragança ou mesmo na região de Lisboa e Vale do Tejo e até no Algarve.
"A sua presença ou de ninhos não foi confirmada, sendo certo que muitos dos relatos corresponderão à presença da vespa europeia, cuja presença é absolutamente normal e por isso não revela qualquer impacto extraordinário, designadamente para a atividade apícola", esclarece a mesma fonte.
Desde janeiro de 2013 que existe um plano de ação para tratar a presença desta praga em território nacional, permitindo aos apicultores a sua "comunicação rápida" às autoridades.
Ainda de acordo com a DGAV, apesar do crescente número de ninhos detetados e destruídos e da sua localização, para sul, a possível "tendência para uma expansão gradual da espécie" ainda "carece de validação científica e técnica".
Prevê, contudo, o alargamento a outras zonas do país da aplicação do plano de ação instituído em 2013 na área do Minho já no início deste ano.