Mais de metade dos doentes com Esclerose Múltipla precisam de apoio para se movimentarem

Mais de metade dos doentes com Esclerose Múltipla precisam de apoio para se movimentarem

Lisboa, 02 dez (Lusa) -- Mais de metade dos doentes com esclerose múltipla precisam de ajuda para se movimentarem, uma situação que leva a despedimentos e a reformas antecipadas, alerta a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM).

© 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Dados da SPEM, divulgados a propósito do Dia Nacional da Esclerose Múltipla, que se assinala domingo, indicam que cerca de 60 por cento dos doentes precisam de apoio para andar passados 20 anos após o diagnóstico da doença.

As dificuldades na marcha encontram-se entre as queixas mais referidas pelos doentes, condicionando muito frequentemente as atividades básicas de vida diária, o exercício de algumas profissões, o que acaba por ter implicações socioeconómicas para o doente e para a família, refere a instituição.

A esclerose múltipla, que afeta cerca de 6.000 portugueses, "é uma doença de gente jovem, em plena idade de trabalho, que se manifesta na larga maioria dos casos por surtos, em que o doente fica incapaz de trabalhar", explicou à agência Lusa a presidente da SPEM.

O tempo que demora um surto depende do estádio da doença, mas durante esse período o doente tem de estar de baixa.

"Como muitos destes doentes estão em idade ativa e a trabalhar, alguns escondem da entidade patronal e dos colegas que são portadores desta doença com medo de represálias", disse Manuela Neves, sublinhando: "Se a entidade patronal tem de escolher entre dois trabalhadores, obviamente que vai escolher o que não tem esclerose múltipla".

Um estudo da SPEM realizado juntos dos doentes revela que 55,6 por cento das pessoas que sofrem desta patologia estão inativos, a grande maioria devido a reforma.

Dos doentes inativos, 41,5% foi despedido ou reformou-se antecipadamente, 33,2% desistiu por falta de capacidade para trabalhar e 15,7% atingiu o limite de baixa por doença.

A responsável esclareceu que um doente portador de esclerose múltipla pode trabalhar e "fica muito mais barato ao Estado", que não terá que manter alguém desempregado ou numa situação de pré-reforma aos 40 anos.

Manuela Neves refere que há formas de contornar o problema e fazer com que o doente viva com qualidade e seja eficaz no trabalho, como reduzir do número de horas de trabalho, com a consequente diminuição de remuneração, e atribuir-lhe uma função que não exija grande esforço físico e que não esteja sujeita a temperaturas muito elevadas.

A neurologista Lívia de Sousa, dos Hospitais Universitários de Coimbra (HUC), observa que "o doente com esclerose múltipla não é propriamente um faltista".

"Isso depende mais do doente do que da doença. Faltam quando estão em surto, mas em média não tem mais do que um surto por ano. Contudo, há doentes que têm formas mais severas da doença e têm de reformar-se", acrescentou a médica.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crónica e degenerativa do sistema nervoso central, cujos sintomas mais frequentes são falta de força em um ou mais membros, alterações da visão (visão dupla ou perda de visão de um dos olhos), alterações do equilíbrio e da coordenação e alterações da sensibilidade.

A chefe da equipa das consultas de esclerose múltipla e doenças similares nos HUC apontou a existência "essencialmente" de duas formas da doença: com evolução por surtos ou com evolução progressiva.

Tópicos
PUB