Mais dois inspetores dizem que prostituta ouvida no julgamento do caso de Rui Pedro não era credível
Lousada, 14 dez (Lusa) - Dois inspetores da Polícia Judiciária (PJ) que investigaram o desaparecimento de Rui Pedro disseram hoje que a prostituta que alega ter estado com a criança deu informações sem credibilidade e que, por isso, não foi aprofundada aquela pista.
João Rouxinol e José Azevedo, que integraram a primeira equipa da PJ que esteve em Lousada após o desaparecimento, em abril de 2008, confirmaram, em parte, o teor das declarações que o colega José Adriel já tinha prestado em audiência, sobretudo quanto à alegada falta de credibilidade da prostituta.
Nesta décima sessão de julgamento do homem acusado do rapto de Rui Pedro, o inspetor João Rouxinol revelou que as informações prestadas pela prostituta Alcina Dias, nomeadamente quando foi pedido que descrevesse o suspeito, não coincidiam com o aspeto físico de Afonso Dias. Outro dado que terá, na ótica da investigação, descredibilizado a prostituta, foi a cor do alegado veículo do arguido, que a mulher terá dito ser clara, o que não corresponde à verdade.
O inspetor garantiu também que a mulher foi trazida para o tribunal cinco dias após o desaparecimento do menor e que não reconheceu o suspeito quando se cruzou com ele.
Já o seu colega José Azevedo admitiu que a inquirição formal de Alcina Dias e a confrontação com Afonso Dias deveriam ter ocorrido, mas insistiu que não havia "grande necessidade" dessa diligência, porque "ela não levava a lado nenhum".
Este inspetor insistiu que a diligência "não era determinante para a descoberta de Rui Pedro", voltando-se para o advogado da família do menor, que insistia na necessidade de a prostituta ter sido ouvida.
Na sessão de hoje, a coordenadora da investigação à data, Damiana das Neves, admitiu também que Alcina Dias devia ter sido ouvida formalmente nos primeiros dias após o desaparecimento da criança, mas sublinhou que "a versão da senhora não era verosímil e não colhia grande credibilidade".
Explicou também que a pista não foi aprofundada, porque naqueles dias a prioridade era encontrar o Rui Pedro e havia muitas diligências a fazer.
Damiana das Neves revelou que "todos os dias chegavam informações dispersas sobre Rui Pedro" e que os meios humanos, que considerou limitados, eram apontados para confirmar as pistas que iam surgindo.
No tribunal esteve também hoje um perito que confirmou não terem sido encontradas impressões digitais no veículo do arguido que permitissem atestar que Rui Pedro lá tivesse estado.
Nesta sessão do julgamento iniciado a 17 de novembro, concluiu-se a audição das mais de 60 testemunhas arroladas pelos agentes processuais.
O coletivo presidido por Carla Fraga tinha agendado para hoje a reconstituição dos factos junto à escola onde estudou Rui Pedro e no local onde a criança terá estado com a prostituta, mas essa diligência, devido à falta de tempo, foi adiada para o dia 04 de janeiro.