Marcha pela marijuana reuniu 300 pessoas no Porto
Cerca de 300 pessoas participaram na primeira Marcha Global pela Marijuana realizada no Porto, entre as praças do Marquês de Pombal e de D. João I, associando-se assim a uma manifestação em prol da legalização do cultivo, venda e consumo medicinal e recreativo da cannabis.
Eram 15:00 quando os manifestantes, quase todos jovens, começaram a concentrar-se no Marquês, preparando-se para um desfile que começou por volta das 16:10 e durou mais de uma hora, sob orientação de uma força policial discreta e constituída por cerca de uma dezena de agentes.
A marcha, guiada por uma viatura da PSP, começou ao som de "hits" musicais dos jamaicanos Peter Tosh e Bob Marley, talvez os mais conhecidos representantes do movimento "reggae". E foi na companhia de muita música e de um sol generoso que os participantes contribuíram para dar força a este movimento pela "legalização das drogas ditas leves", como a mundialmente famosa marijuana Muitos manifestantes - a que se juntou Ana Deus, antiga vocalista da banda Três Tristes Tigres - empunhavam cartazes e sobretudo uma bandeirinha verde com a conhecida imagem de uma planta de cânhamo e as suas sete folhas. Alguns, com grande à vontade, fumavam marijuana e partilhavam mesmo os seus cigarros. Outros bebiam cerveja, água e até vinho, tudo num ambiente tranquilo e ordeiro.
Um dos participantes disse à agência Lusa que a marijuana, uma droga leve extraída do cânhamo, provoca nele "uma sensação de relaxamento e de paz de espírito". João Carvalho, um licenciado em História que fez de porta-voz desta iniciativa inédita em Portugal e no Porto, salientou que a marcha foi "uma iniciativa apartidária da sociedade civil portuense" e visou "lançar o debate sobre o uso medicinal da cannabis", tarefa que, em sua opinião, cabe em primeiro lugar à "comunidade científica".
Um dos mais activos em prol desta iniciativa foi Filipe Guedes, de 32 anos, proprietário, "há sete anos", de uma loja na Rua de Roque da Lameira (www.theartofjoint.com) no Porto, onde vende material relacionado com o consumo e cultivo do cânhamo, "como cachimbos, adubos, mortalhas, etc". Marijuana é que não, por ser proibida.
Filipe Guedes distribuiu, gratuitamente, camisolas e vários outros artigos dirigidos aos consumidores dessa substância psicotrópica. Nada de ilegal, garantiu em declarações à Lusa. "Tenho facturas daquilo, paguei 21 por cento de IVA", continuou, garantindo que o "Estado pode arrecadar milhões se for legalizado o consumo e o auto-cultivo da marijuana".
Após o desfile, que causou alguns problemas de trânsito, porque foi preciso fechar ruas, os manifestantes reuniram-se na Praça de João I, onde houve um concerto e foi lido um manifesto a favor da legalização do consumo da marijuana, tendo em conta que, como vincou João Carvalho, deve ser vista como se "uma questão do foro pessoal".