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Marques Mendes volta a acusar Sócrates de ter falhado todas as promessas

Marques Mendes volta a acusar Sócrates de ter falhado todas as promessas

O líder do PSD, Luís Marques Mendes, voltou a levar ao debate mensal com o primeiro-ministro a situação económica do país, acusando José Sócrates de ter falhado todas as promessas feitas há um ano.

Agência LUSA /
Lusa

"Em todos os indicadores, falhou", afirmou Marques Mendes, na primeira intervenção da bancada do PSD no debate mensal com o primeiro- ministro, lembrando as promessas de José Sócrates de não aumentar impostos, reduzir a despesa pública e apostar no crescimento da economia.

Salientando que, ao fim de um ano de governação socialista, "as pessoas apertam mais o cinto e têm mais austeridade, mas não vêem a luz ao fundo do túnel", Marques Mendes considerou que o executivo não tem "autoridade moral" para pedir mais sacrifícios.

"Depois dos relatórios divulgados a semana passada, o senhor devia era ter vindo pedir desculpa pelos resultados negativos do ano passado, pelo fracasso das políticas do Governo e por todas as promessas falhadas", disse Marques Mendes, sublinhando que, hoje, os portugueses "têm menos economia, menos competitividade e mais desemprego".

Só no final da sua primeira intervenção o líder social- democrata falou das medidas para a reforma da segurança social anunciadas pelo primeiro-ministro, garantindo que o PSD está sempre disponível para discutir a questão, que deve ser tratada "com tranquilidade" em sede de concertação social.

"Mas, se não tratar de pôr a economia a crescer e a diminuir a despesa pública corrente, as alterações às pensões podem ter o mesmo efeito que o aumento de impostos", disse, numa alusão ao relatório do Banco de Portugal, que refere que o aumento de impostos não teve o efeito previsto na redução do défice.

Na resposta, o primeiro-ministro começou por destacar o "silêncio total" da bancada do PSD relativamente às propostas do executivo para a reforma da segurança social, criticando "o desplante" de Marques Mendes em trazer para o debate mensal os resultados da economia.

"Quando saíram do Governo deixaram o país à beira da recessão", acusou José Sócrates, comparando alguns os resultados de 2004 e 2005 de alguns indicadores económicos e lembrando o "número fatídico" de 6,83 por cento de défice previsto para 2005.

"O que conseguimos ao longo de um ano foi transformar esse número em seis por cento, tal como tínhamos prometido", afirmou, lembrando que, ao contrário do que o PSD fez enquanto estava no Governo, este executivo "nunca embandeirou em arco" sobre o estado da economia.

Palavras que Marques Mendes classificou como "um descaramento", considerando que o Governo quer "negar a realidade" relativamente ao défice, pois em 2004 o Governo de maioria PSD/CDS-PP conseguiu alcançar um défice de 5,3 por cento, enquanto em 2005 o défice foi de "6, 02 por cento".

"Se, no ano de 2005, o crescimento foi insuficiente isso é responsabilidade do seu Governo", replicou José Sócrates, lembrando que o seu executivo apenas entrou em funções no final do primeiro trimestre de 2005.

"Em matéria orçamental, o senhor não tem moral nenhuma para falar", disse ainda José Sócrates, dirigindo-se a Marques Mendes, a quem chegou a acusar de "falta de seriedade" por querer atribuir ao executivo socialista responsabilidades do Governo de maioria PSD/CDS- PP.

"Nós já fomos julgados e penalizados nas urnas", respondeu o líder social-democrata.

Marques Mendes rejeitou ainda que, ao contrário do que José Sócrates disse numa das suas intervenções, defenda o despedimento de funcionários públicos, garantindo que apenas advoga "as rescisões amigáveis".

O TGV (comboio de alta velocidade) foi outro dos temas que levou a uma troca de palavras entre Marques Mendes e José Sócrates, que destacou o facto do líder social-democrata "defender a prioridade" da alta velocidade na moção que leva ao congresso do PSD.

"É razão para dizer que muda de opinião a altíssima velocidade", ironizou José Sócrates.

"A moção, vou-lha mandar porque não fala lá em TGV", garantiu Marques Mendes.

Na resposta, José Sócrates recorreu novamente à ironia, admitindo que, realmente, Marques Mendes não fala em TGV na sua moção, mas sim "em velocidade rápida".

"O senhor não teve foi coragem para assumir essa decisão", concluiu o primeiro-ministro.


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