Medicamentos da classe do Vioxx vão ser avaliados em tomas prolongadas

Medicamentos da classe do Vioxx vão ser avaliados em tomas prolongadas

A segurança cardiovascular de todos os medicamentos da classe do Vioxx, o anti-inflamatório mais vendido em Portugal que foi retirado do mercado, vai ser avaliada em casos de tomas prolongadas, anunciaram as autoridades do sector da União Europeia.

Agência LUSA /

O Vioxx foi quinta-feira retirado do mercado devido a um ligeiro aumento de problemas cardiovasculares associados à toma prolongada deste fármaco, anunciou o laboratório que comercializa o medicamento, Merck Sharp & Dohme (MSD).

O medicamento, cuja substância activa é o rofecoxib, é prescrito para a osteoporose, artrite e a dor aguda e em Portugal representa seis por cento de todos os anti-inflamatórios comercializados.

O Vioxx foi retirado do mercado devido a resultados de um ensaio clínico em doentes com pólipos intestinais, os quais demonstraram um aumento do risco de acidentes trombóticos confirmados, após uso prolongado (mais de 18 meses).

Na reunião informal do Comité de Medicamentos de Uso Humano da Agência Europeia de Avaliação dos Medicamentos (EMEA), realizada segunda e terça-feira em Scheveningen (Holanda), as autoridades regulamentares do medicamento decidiram rever a avaliação da informação de longo-prazo sobre segurança cardiovascular para todos os inibidores COX-2, a classe de fármacos a que pertence o Vioxx.

Os inibidores COX-2 são um tipo de anti-inflamatórios não esteróides (AINE) que causam menos danos ao estômago, actuando selectivamente e bloqueando a enzima COX-2.

A avaliação agora decidida pelas autoridades regulamentares do medicamento da União Europeia irá decorrer nas próximas duas semanas.

Em Portugal, o Vioxx só podia ser adquirido com receita médica. Custava 40,84 euros e tinha uma comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 70 por cento (regime geral) e 85 por cento (regime especial).

O Vioxx era comercializado em 47 países e representava, para a MSD, um volume de vendas na ordem dos 2,5 biliões de dólares. Só em Portugal, o medicamento tem um valor de mercado de 18 milhões de euros por ano.

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