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Memória de crianças maltratadas e abusadas analisada no Porto

Memória de crianças maltratadas e abusadas analisada no Porto

O investigador norte-americano Mitchell Eisen, consultor do Ministério Público da Califórnia, desloca-se ao Porto em finais de Março para explicar como funciona a memória de crianças alvo de abuso ou maltratadas.

Agência LUSA /

Com os testemunhos das crianças da Casa Pia na ordem do dia há já vários meses, este professor universitário vem a Portugal a convite da Fundação Bial - que realiza de 29 de Março a 1 de Abril o seu sexto Simpósio "Aquém e Além do Cérebro" - falar da sua experiência junto de crianças abusadas que testemunharam nos tribunais norte-americanos.

"Memória e sugestibilidade em crianças vítimas de maus-tratos: exame da teoria e investigação actual relevante para depoimentos de crianças abusadas" é o tema que Mitchell Eisen traz ao simpósio, na sequência de estudos sobre os efeitos da sugestibilidade e formação de falsas memórias em crianças em entrevistas forenses.

O investigador, consultor do Ministério Público da Califórnia para assuntos como a memória de testemunhas oculares, pós-trauma e efeitos de abusos em crianças, procurará explicar no encontro aquilo que se pode esperar das revelações de menores maltratados.

A edição deste ano do simpósio, que comemora a sua primeira década de existência, dedica-se exclusivamente ao tema da memória e divide-se em três grandes sessões: "Neurociência da memória", "Memória e experiências excepcionais" e "Memória e a parapsicologia".

Cerca de duas dezenas de especialistas de vários países vão procurar, durante os quatro dias do "Aquém e Além Cérebro", esclarecer questões sobre "Como se consolida a memória", "Qual a aplicação clínica dos avanços da parapsicologia científica", "A relação entre memória e intuição" e "Onde é que a memória é armazenada e como é evocada".

Patrick Chauvel, da Sociedade de Neurofisiologia Clínica de Língua Francesa, vai apresentar no encontro as descobertas mais recentes sobre o fenómeno "dejà-vu" e as suas bases neurofisiológicas.

Lia Kvavilashvili, da Universidade de Hertfordshire, Inglaterra, consultora de várias revistas científicas na área da memória e psicologia cognitiva de idosos, vai abordar a veracidade das memórias "relâmpago" em torno da morte da princesa Diana e dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Caroline Watt, investigadora de parapsicologia da Universidade de Edimburgo, Escócia, vai coordenar um debate onde serão apresentados estudos que indicam que a convicção no paranormal e a tendência para relatar experiências nesta área estão relacionadas com variáveis psicológicas como a dissociatividade, predisposição para fantasias, susceptibilidade hipnótica e traumas de infância.

Esta constatação levanta a possibilidade de alguns relatos de experiências paranormais poderem basear-se em memórias falsas.

Richard S. Broughton, da Universidade de Northampton, Reino Unido, vai falar sobre o papel da memória e da emoção em experiências anómalas e a forma como o sistema emocional influencia as imagens da memória e as alucinações durante a vigília, frequentemente interpretadas como originadas por um sexto sentido, e vai procurar avaliar o papel da memória na capacidade de intuição e pré-cognição.

Paralelamente, como nas edições anteriores, os bolseiros Bial irão apresentar os trabalhos por si elaborados nos dois últimos anos.

Além do simpósio, a empresa farmacêutica patrocina bienalmente bolsas de investigação científica nas áreas da psicofisiologia e da parapsicologia, tendo já apoiado 205 projectos englobando 648 investigadores de 21 países.

Fundada pelos Laboratórios Bial e pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, a Fundação Bial atribui ainda o Grande Prémio de Medicina, no valor de 150 mil euros, e o Prémio de Medicina Clínica, de 50 mil euros.

A comissão organizadora do "Aquém e Além Cérebro" reúne nomes como os de Alexandre Castro-Caldas, Nuno Grande, Fernando Lopes da Silva (radicado em Amesterdão), Rui Mota Cardoso e Caroline Watt, de Edimburgo.


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