Ministério Público acusa Gonçalo Amaral de ter torturado o companheiro da mãe de Joana
O ex-inspector da Polícia Judiciária Gonçalo Amaral está acusado pelo Ministério Público de ter torturado em co-autoria o companheiro de Leonor Cipriano, mulher que foi condenada a 16 anos de prisão pela morte da sua filha Joana. De acordo com a acusação, Leandro Silva foi agredido nas instalações da PJ de Portimão durante um interrogatório.
É nesse sentido que os documentos da acusação, aos quais a Agência Lusa teve acesso, apontam ao ex-inspector da PJ o crime de tortura em co-autoria.
Refere o MP que Leandro Silva terá sofrido várias lesões, em particular uma "contusão da grelha costas" que horas após as agressões o obrigou a deslocar-se ao Hospital do Barlavento Algarvio para receber assistência médica.
As lesões que terão resultado da coacção física durante os interrogatórios impediram Leandro Silva de trabalhar durante cinco dias.
Advogado vai avançar com pedido de indemnização
Na sequência da acusação do MP, o advogado de Leandro Silva já fez saber que o seu cliente vai avançar com um pedido de indemnização que poderá custar 500 mil euros a Gonçalo Amaral.
Marcos Aragão Correia, advogado que já havia conseguido a condenação de Gonçalo Amaral no caso das agressões a Leonor Cipriano, declarou que vai requerer em tribunal um pedido de indemnização pelos actos de tortura.
Em Maio passado, o tribunal de Faro já havia condenado o ex-inspector a ano e meio de prisão com pena suspensa por falsidade de depoimento no caso das agressões a Leonor Cipriano, a 14 de Outubro de 2004. O tribunal considerou provado que a mãe de Joana, desaparecida a 12 de Setembro, foi agredida nas instalações da PJ por agentes daquela polícia, não conseguindo no entanto identificar os autores das agressões.
Já hoje, Marcos Aragão Correia sustentou em declarações à Lusa que a prova testemunhal das alegadas agressões contra o seu cliente será reforçada pelos relatórios do hospital de Portimão, o que o faz crer que o caso contra Gonçalo Amaral será "mais uma vez ganho".