Ministério Público deduz acusação contra 57 arguidos em processo de segurança ilegal

Ministério Público deduz acusação contra 57 arguidos em processo de segurança ilegal

O presidente do FC Porto está acusado por ter requisitado os serviços de acompanhamento e proteção pessoal à empresa de SPDE- Segurança Privada e Vigilância em Eventos, apesar de saber que a empresa não podia exercer a atividade. Em causa nesta “operação Fénix” está uma estrutura que usava a força e a intimidação para dominar o negócio da segurança privada na noite de várias cidades.

Ana Sofia Rodrigues - RTP /
Lusa

Esta segunda-feira chegava ao fim o prazo para dedução da acusação no processo conhecido por “Operação Fénix”. Em nota enviada à comunicação social, a Procuradoria-Geral da República revela que foi deduzida acusação contra 57 arguidos pela prática de crimes de associação criminosa, exercício ilícito da atividade de segurança privada, extorsão, coação, ofensa à integridade física qualificada, ofensas à integridade física grave, agravadas pelo resultado, tráfico e detenção de arma proibida e favorecimento pessoal.

No centro da acusação está a empresa SPDE, detida por Eduardo Santos Silva, conhecido por Edu. Este seria o líder do grupo que se dedicava à prática de atividades ilícitas relacionadas com o exercício de segurança privada. Eduardo Santos Silva é um dos 13 arguidos que se encontram em prisão preventiva estando, todos eles acusados de crime de associação criminosa, entre outros crimes.
Segurança e “cobranças difíceis”
Os suspeitos são conhecidos como ninjas do Vale do Sousa, um grupo que é apontado como extremamente violento.
No decurso do inquérito foram realizadas mais de cinco dezenas de buscas em Lisboa, Porto, região do Vale do Sousa, Braga e Vila Real. Foram apreendidas viaturas, dinheiro, armas e documentação.
De acordo com a acusação, Eduardo Silva, a coberto da atuação legal da sociedade SPDE, montou uma estrutura que através da força e da intimidação lhe “permitiu vir a dominar a prestação de serviços de segurança em estabelecimentos de diversão noturna de vários pontos do país”.

A investigação considera que o grupo está também indiciado pela prática das chamadas “cobranças difíceis”. Ou seja, exigia através da violência física ou ameaças, o pagamento de alegadas dívidas. Alguns dos arguidos neste processo estão acusados por terem sido “clientes” deste serviço, sendo considerados co-autores de crimes de extorsão ou coação.

A empresa SPDE organizaria ainda serviços de acompanhamento e proteção pessoal, serviços para os quais não dispunha de alvará, refere a PGR. Arguidos como Jorge Nuno Pinto da Costa e Antero Henrique (diretor-geral da SAD portista) foram assim alvo de acusação por terem requisitado esses serviços, sabendo que quem os prestava não podia, nos termos da lei, fazê-lo.

Os dois homens fortes do FC Porto foram assim acusados da prática de crime de ilícito da atividade de segurança privada, um crime punível com pena de prisão ou com mera multa.
Paulo Jerónimo, Rui Magalhães - RTP
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