País
Mondego. Dique de Montemor-o-Velho ruiu parcialmente
Um dique do Mondego junto a Montemor-o-Velho ruiu parcialmente pouco depois das 21h30 de domingo. A Câmara Municipal susteve apesar disso a ordem de evacuação das populações mais ameaçadas, por não considerar a situação "preocupante".
Isso mesmo foi explicado cerca das 22h00 por Emílio Torrão, presidente de Montemor-o-Velho, que acrescenta estar a manter o alerta especialmente para a localidade de Casal Novo do Rio.
A rotura que acabou por se verificar foi acompanhada do galgamento da
barreira pelas águas, noutro local próximo, elevando os riscos de
alargamento da rutura.
As palavras de ordem, referiu o presidente da autarquia, são por isso
monitorizar e avaliar, já que a situação pode mudar rapidamente.
Emílio Torrão sublinhou que pediu ao ministro da tutela que desse
instruções à Agência portuguesa do Ambiente, por forma a evitar novas
descargas de barragens, mantendo assim baixo o caudal do Mondego.
A estratégia deverá permitir o encaixe do rio principal das águas
libertadas pela rotura do dique, evitando dessa forma o agravamento da
situação para as populações.
Ao início da noite, a autarquia usou máquinas para colocar pedras de grandes dimensões e areia, junto às margens das zonas mais ameaçadas, para tentar conter o fluxo das águas em caso de quebra do dique.
Alerta amarelo
A melhoria das condições atmosféricas nas últimas horas permitiu a normalização nas restantes bacias hidrográficas portuguesas afetadas pelo mau tempo.
Dez distritos de Portugal Continental vão manter-se até segunda-feira sob aviso laranja devido à forte agitação marítima provocada pela tempestade Fabien.
As ondas podem chegar aos 12 metros de altura, o que leva as autoridades a reforçar os alertas para que ninguém se aproxime da beira-mar, por mais que as imagens sejam impressionantes.
A EDP prometeu ainda resolver até segunda-feira todas as falhas de eletricidade nas redes de
alta e média tensão provocadas pelo mau tempo, sem previsão ainda para a
resolução na baixa tensão.
Viseu e Vila Real foram os distritos mais afetados pela quebras no fornecimento de eletricidade, especialmEnte depois da queda de árvores sobre linhas eletricas.
Num balanço dos últimos dias, a Proteção Civil revelou que foi necessário mobilizar 37 mil operacionais para responder a todas as ocorrências.
O mau tempo fez dois mortos e um desaparecido em Portugal. O comandante da Proteção Civil, Duarte Costa, referiu que foi até agora impossível localizar tanto o homem como a máquina que conduzia, e que caiu ao rio Ferreira.
Foram contabilizadas desde quarta-feira 1.727 ocorrências. Ficaram desalojadas 144 pessoas e outras 320 tiveram de ser deslocadas, sobretudo no Baixo Mondego, para fugir à ameaça das cheias.
Na circulação rodoviária, o IP 3 que liga Coimbra a Viseu mantinha-se
cortado ao trânsito entre Espinheira e Oliveirinha, devendo ser reaberto
segunda-feira.
Devido às cheias no Mondego, um troço da estrada nacional 111, junto a Montemor-o-Velho, continua encerrado.
Normalização lenta
Durante o dia de domingo foi retomada a circulação na linha do Norte,
que liga Lisboa ao Porto, com condicionamento a uma via e com limites à
velocidade entre Ameal Sul e Alfarelos, depois de ter estado
interrompida por causa das cheias.
A circulação de comboios na linha da Beira Alta, entre Muxagata e Fornos de Algodres, na Guarda, foi também retomada após interrupção devido a derrocada de pedras de grandes dimensões que caíram na via.
A única ferrovia que permancia encerrada era a da ligação de Alfarelos à cidade da Figueira da Foz.
A circulação de comboios na linha da Beira Alta, entre Muxagata e Fornos de Algodres, na Guarda, foi também retomada após interrupção devido a derrocada de pedras de grandes dimensões que caíram na via.
A única ferrovia que permancia encerrada era a da ligação de Alfarelos à cidade da Figueira da Foz.
Devido às cheias no Mondego, um troço da estrada nacional 111, junto a Montemor-o-Velho, continua encerrado.
Críticas da Quercus
A associação ambientalista Quercus lamentou as recentes cheias no Mondengo e afirmou que já tinha alertado para o perigo em 2018.
Em resposta, a Autoridade Nacional da proteção civil remeteu explicações para a
Assiciação Portuguesa do Ambiente e Câmara Municipal e diz que não tinha
nenhum aviso específico.
Também o Presidente da Câmara de Montemor-o-Velho afastou
responsabilidades, lembrando que a autarquia não tem responsabilidades
na gestão da bacia hidrográfica, remetendo igualmente quaisquer explicações para a APA.
A Proteção Civil está ainda a ver questionada a sua decisão de não ter utilizado SMS para orientar a população, durante os últimos dias, apesar de o Estado estar a pagar 900 milhões de euros a três operadoras para cumprir essa necessidade.
Os responsáveis afirmam que, nestes casos, preferiram os contactos de proximidade e o uso dos meios de comunicação social para manter as populações informadas do evoluir dos perigos e das respostas encontradas.
C/Lusa