Moradores de Marvila em protesto contra despejo de jovem com filhos menores

Moradores de Marvila em protesto contra despejo de jovem com filhos menores

Em Marvila, Lisboa, as comissões e associações de moradores juntaram-se em protesto contra o despejo de uma jovem mãe com dois filhos menores de uma habitação municipal.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Andreia Custódio - RTP

Os moradores juntaram-se, esta quarta-feira, em frente à sede da Gebalis, a empresa que gere os bairros municipais de Lisboa, para exigir a reversão do despejo.

“Condenamos da forma mais veemente este ato de profunda desumanidade e violência social, executado por um forte e implacável aparelho policial municipal”, afirmaram, em comunicado, a Comissão de Moradores e Utentes de Marvila (COMUM), a Associação de Moradores do Condado (AMC), a Associação dos Moradores do Bairro das Amendoeiras (AMBA), a Associação Moradores do Vale Fundão (AMVF), a Comissão de Moradores dos Lotes 568 e 570 e os presidentes da Assembleia e da Junta de Freguesia de Marvila.

Em causa está o despejo, na semana passada, de uma mãe, viúva e desempregada, com dois filhos de quatro e dois anos, que vivia numa casa municipal no Bairro do Condado, freguesia de Marvila, com o companheiro e pai das duas crianças, que era neto da titular do arrendamento, tendo ambos morrido em 2024.

Segundo informação recolhida pela vereação do PCP - que já apresentou um requerimento a pedir esclarecimentos ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas – a mãe dos menores reportou as mortes dos titulares do contrato de arrendamento à empresa municipal Gebalis e solicitou a sua inclusão na ficha de moradores, tendo sido informada de que deveria apresentar um comprovativo emitido pela Junta de Freguesia que atestasse a sua residência na habitação.

A munícipe continuou a pagar a renda à Gebalis, que teria conhecimento da permanência da família na habitação e terá aceitado os pagamentos, mas em dezembro de 2025 foi informada de que os elementos apresentados não eram considerados suficientes e que deveria abandonar a habitação, decisão que contestou com apoio jurídico, mas que culminou com a recente execução do despejo.

À agência Lusa, a Gebalis disse que os menores não foram declarados para efeitos de inclusão na ficha, tendo os serviços da Gebalis tomado conhecimento após o falecimento dos dois inquilinos autorizados.

"Chocante insensibilidade"
João Ferreira, vereador da Câmara Municipal de Marvila pelo PCP, disse em declarações à RTP que o caso “revela uma chocante insensibilidade”.


“Tem de haver uma dimensão social na intervenção desta empresa e da Câmara Municipal, que neste caso revelou estar completamente ausente”, criticou.

“Se a Gebalis acompanhasse estas famílias, poderia ter percebido a atualização do agregado”, acrescentou, afirmando que a empresa “não pode agarrar-se a uma mera formalidade para criar uma situação muito preocupante do ponto de vista social”.

Numa resposta enviada à Agência Lusa, a Gebalis refere que "a situação foi devidamente articulada com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – que detém competência em matéria de emergência social" e que “o agregado familiar autorizado na habitação em questão é composto pela arrendatária e neto, ambos falecidos”, sendo o neto companheiro e pai dos filhos menores da munícipe despejada.

Contactada pela RTP Antena 1, a Santa Casa confirma que "a cidadã em causa se deslocou, na sexta-feira, à Unidade de Proximidade Oriental, onde foi feito o acompanhamento necessário".

c/Lusa
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