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Moradores e comerciantes esperam novo dinamismo com futura cidade cenográfica

Moradores e comerciantes esperam novo dinamismo com futura cidade cenográfica

Sintra, 04 Dez (Lusa) - A aquisição por mil euros de um terreno de 50 hectares em Sabugo, Sintra, por parte da Media Capital, surpreendeu os vizinhos, que esperam agora que a zona assista a um novo dinamismo económico.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Um protocolo celebrado entre os proprietários, a Media Capital e a autarquia prevê a construção da nova cidade cenográfica do grupo que gere a TVI perto da locaidade de Sabugo, da freguesia de Almargem do Bispo.

Pela venda por preços simbólicos, os proprietários (Casal da Granja de Santa Cruz - Promoções Turísticas Imobiliárias) terão como contrapartidas da autarquia a autorização de construir no terreno adjacente, de cerca de 150 hectares, onde até agora estavam impedidos de intervir.

No entanto, a venda dos terrenos à Media Capital só será confirmada caso seja aprovado o projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN) para a zona, que está classificada em Reserva Ecológica Nacional (REN).

Em declarações à agência Lusa, alguns moradores mostraram o seu entusiasmo a construção desta cidade cenográfica, referindo que a medida pode ser um factor de dinamização económica desta localidade já envelhecida e referiram que o custo dos terrenos é demasiado baixo.

"Acho óptimo. Deus queira que isso seja verdade porque para o negócio vai ser muito bom", disse Margarida Freitas, proprietária do estabelecimento "Tasca da Fonte", localizado na principal via da localidade.

Uma das suas clientes, Amélia Borges reside em Almornos, a poucos quilómetros do Sabugo, mas teme que a instalação da cidade cenográfica possa contribuir para a construção de condomínios privados "que nada trazem à terra"

"Muitas pessoas de Lisboa têm cá uma segunda casa. Estas pessoas não fazem vida cá na terra, não frequentam as lojas locais, portanto desse ponto de vista não é bom", disse, acrescentando que, no entanto, esta situação vai rentabilizar o valor das terras das pessoas do Sabugo.

Junto ao terreno da futura cidade do cinema encontram-se vários caçadores que, não obstante o mau tempo, percorriam os campos em busca de caça.

Um deles adiantou à Lusa que não terá qualquer problema em futuramente ter que caçar noutros terrenos, uma vez que, o importante é o investimento chegar à terra onde reside.

"É bom para uns e mau para outros. Quem tem aqui terrenos vai vê-los valorizados", disse.

O proprietário da Quinta Casal Alentejano, José Cleto, congratulou-se com a perspectiva da instalação da cidade cenográfica junto aos 20 hectares do seu terreno, uma vez que serão rentabilizados.

"Se fizerem aqui a cidade do cinema eu fico muito contente. A minha propriedade também está em zona ecológica e assim aguardo que o deixe de ser", disse à Lusa José Cleto, igualmente proprietário de um campo de tiro, que se encontra instalado dentro da sua quinta.

"Estranho é o preço a que vão comprar os terrenos. Eu dou mais se quiserem", referiu o proprietário, acrescentando: "Há 25 anos o meu pai tentou comprar aqueles 200 hectares por duzentos mil euros e não quiseram".

A construção desta cidade cenográfica levanta também dúvidas ao líder de bancada da CDU na Assembleia Municipal, Miguel Carretas, que questiona se a aprovação deste projecto poderá potenciar a construção imobiliária na área adjacente de 150 hectares, igualmente propriedade da empresa Casal da Granja de Santa Cruz - Promoções Turísticas Imobiliárias.

No entanto, o presidente da Câmara de Sintra desvaloriza estas "advertências" da oposição, considerando que este "investimento da Media Capital é o mais relevante na Área Metropolitana de Lisboa nos próximos dois a três anos, excluindo o do desenvolvimento do metropolitano e do futuro aeroporto".

"A cidade do cinema é um projecto estratégico para qualquer concelho, como se perceberá na disputa que vai haver sobre esta questão. Este é um projecto similar à estação brasileira da Globo que passa por criar um pólo de desenvolvimento de um espaço de produção de cinema e de telenovelas relevante", disse.

Segundo o autarca, esta será a terceira cidade cenográfica da Europa, e a aposta em Sintra surge porque existem "capacidades sinérgicas e espaços naturais únicos" e porque Portugal tem "um preço hora de produção cinematográfica diferente do preço europeu".

Esta cidade do cinema contemplará seis estúdios, seis cidades cenário e instalações de suporte à logística da Media Capital e TVI.

JYR.

Lusa/Fim


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